Fluídos eróticos...

Haverá nome mais erótico para um curso do que este: Mecânica dos Fluídos? ;)

Projecto fantasma

Eis onde a capital supera a invicta.

Nostalgia em Dó Maior


Para mim nostalgia é aquele som da chuva a cair no filme do Tarkovsky. Recorda-me outros sons e a imagem de um velho palacete em plena baixa portuense, que albergou primeiro os meus anos de infantário e, uns dez anos mais tarde, a minha adolescência, para aulas de piano. Que magnífico aquele outro som das notas desafinadas a ecoar pelos salões e corredores vazios, eu, a minha professora e Shubert, sozinhos em três pisos de nostalgia. A minha mãe relembra-me muitas vezes os meus ataques de pânico e ansiedade antes de ir para o infantário. Era comum terem que a chamar a meu (insistente) pedido. Talvez já suspeitasse na altura que aquele casarão ia significar para mim crescer, e se não entrasse, podia ficar para sempre aquele menino melancólico.
"Bisogna fare le cose più grande..."

Sentado na berma do tempo
atravessado pela luz do olhar
um abismo incerto revela-se nas tuas mãos.
Ressoa deste fim de tarde um sonho incompleto
que desliza para o interior.
É como se nas pedras folhas cores horizonte
estivesse o teu corpo
transparente e generoso
amarrado ao meu desejo.

Patriotismos à portuguesa...

"Nestas coisas do amor à pátria tenho uma noção um bocado antiquada e simplista: acho que o amor à pátria consiste em estar disposto a servi-la em caso de necessidade sem perguntar primeiro "quanto?", em declarar tudo o que se ganha ao fisco, em votar nas eleições, nem que seja em branco, em defender, por palavras e actos concretos, o seu património histórico, natural e cultural. A onda de histeria patriótica que invadiu o país a propósito do Euro deixou-me meio perplexo, como no dia 26 de Abril de 1974, ao descobrir, igualmente nas ruas, que, afinal, todo o país era composto de resistentes à ditadura. O patriotismo das emoções e das multidões é certamente mais fácil do que o patriotismo dos deveres serenamente cumpridos. Até porque o primeiro dura o espaço de um acontecimento e o segundo a vida toda. (...)" - Miguel Sousa Tavares, Público (16/07/2004)

Geringonça sentimental II


Olho a tua nudez sem sentir o mundo poisar ao meu lado.
Criei o estranho vício de habitar o teu corpo. Sou o teu fantasma. És a minha encarnação. Dois espelhos em contemplação, eufóricos, e que se descobrem um no outro, cada um pedaço de terra breve que se verte no solo da eternidade humana. Dispo-te, e procuro dias nos teus braços, noites no teu cheiro e tréguas na tua pele. Substraio-me aos dias que viajam dentro da minha retina, sem nunca chegar a um porto. É no silêncio e no escuro que voo como um peso a rasgar o espaço e os muros do medo. Adormecido sobre o mundo, espalhas-te em mim para eu te beijar, inocente de quem bebo a vertigem dos sentidos.
Por isso te peço que me arranques ao sossego só mais um bocado, apenas o tempo de eu enfiar o universo inteiro dentro da cabeça, abrir os olhos e iluminar o que vejo. Quando o fizer, ainda seremos dois corpos, mas cada um dentro do seu, a trocar amor como quem oferece uma razão para chegar a outros dias, talvez grávidos de sorrisos.


Never ending story...

Circuito da roupa: enfiar no cesto, pôr a lavar, pôr a secar, passar a ferro, arrumar, usar, enfiar no cesto, pôr a lavar...
Lembrei-me daquela música do Limahl: "Never Ending Storyiii, aaaã, aaaã, aaaã..."

Ba Ba Ti Ki Di Do

Ora vejam (ou melhor, ouçam) o que eu recebi hoje no meu e-mail :)

Geringonça sentimental


Dois traços projectados num azul oceânico, com sabor a infância, unidos num olhar. É assim que a memória vai impor este tempo, uma tela de emoções, um cinema privado com o som de aventuras ausentes a ecoar nas suas paredes. Os dias, assim como que tingidos de erotismo, são já uma nostalgia que a rotina tornará vaga e onírica. Mas as sombras que escurecem o caminho amanhã serão ainda os corpos ausentes do presente, a filtrar a luz que os penetra.
Talvez não saibas, mas o que encontro nos teus recantos sou eu. Porque sou eu que te sonho, sou eu que te invento, és o eco do meu pensamento. Nos teus lábios gerei um outro eu, em que depositei o carinho que apenas eles me souberam devolver. Mais tarde não passaremos de palavras, até os nossos sexos, mas o que me espanta agora é que teimo em ficar indiferente à cidade que mora dentro da minha janela.

O Sol é...

... um buraco no céu. Do outro lado há luz. À noite o manto é negro e todo esburacado de estrelas.
(delírio ocorrido ontem numa marcha a três, sob o calor impiedoso de uma tarde de Julho, de mochila às costas e desesperadamente à procura de Drave, a aldeia perdida na Serra da Freita, calcorreando caminhos de cabras, pisando bostas de várias espécies autóctones e refrescando o corpo num pequeno paraíso fluvial)

Ma grande culpabilité


É frequente ver-me a braços com esta sensação peculiar, como se tivesse deixado alguma coisa de muita responsabilidade por fazer, um sentimento vago e injustificado de ansiedade em relação a nada em particular.
A culpa. Diariamente. Há 29 anos. 30*12*29 dias de culpa que transporto neste saquinho de emoções e pensamentos a que chamamos o Eu. De onde vem, porque regressa, sempre, apesar do combate que lhe travo, apesar de tantas batalhas ganhas?
O eco do pensamento responde: do mundo, da televisão, dos jornais, da família, dos amigos, do namorado, dos colegas, dos estranhos. De mim próprio.
Esta noite vou ouvir não sei em que tom bemol a Lhasa dizer:
« Je me sens coupable/parce que j’ai l’habitude/c’est la seule chose/que je peux faire/avec une certaine/certitude/c’est rassurant/de penser/que je suis sûre/de ne pas me tromper/quand il s’agit/de la question/de ma grande culpabilité ».

PS para a 1 de Abril: lembro-me de ficares perplexa com a imagem de um homem crucificado como pilar de uma inteira civilização. Parece que o Ney Matogrosso te ouviu, vê lá o que ele canta no novo álbum: “Dizem que Jesus morreu na cruz/Mas eu tive com ele na Dutra, em Queluz/Levava na cabeça um tabuleiro de cuscuz (…) Nós vamos tirar Jesus da cruz porque o rapaz tá pregado naqueles pedaços de pau há mais de 2000 mil anos, vamos deixar ele com os pés e as mãos livres que ele vai pular, dançar, virar cambalhota e fazer muito melhor…”

"Dá-me um beijo!!"

"De mãos dadas ou abraçados, vários casais de namorados passearam ontem, ao fim da tarde, pelos jardins do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Um cenário comum ao de tantos outros dias, não fosse este um «namoro de protesto» contra a discriminação de que são alvo os casais homossexuais nos parques públicos da cidade. Um beijo simbólico, pela liberdade de expressão. (...)
«Ilegalidade» ou «atentado à moral pública» são apenas algumas das expressões utilizadas normalmente pelos agentes da autoridade para impedir casais de lésbicas ou gays de namorarem em espaços públicos. Ou seja, de exercerem um direito que é tanto seu como de qualquer casal heterossexual.
Além do Parque Eduardo VII, onde há pouco mais de uma semana um menor diz ter sido ameaçado fisicamente por um polícia - por se ter recusado a afastar do namorado -, as queixas da comunidade lgbt (lésbica, gay, bissexual e transexual) estendem-se ainda aos seguranças privados dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. (...)
Porque «a discriminação é um problema de todos nós» e «a liberdade de expressão um direito de todos os cidadãos», vários casais heterossexuais integraram o protesto, por «solidariedade». (...)" (Fonte - DN 09/07/04)

Infelizmente são precisas iniciativas destas para ver se se acaba com estas situações discriminatórias... Se tivesse sido no Porto tinha lá estado na "primeira fila"! :)

A nómada no Porto


Iupi!! A Lhasa vai estar nos Jardins do Palácio de Cristal no próximo sábado!! Atenção fãs, preparem-se! O quê? Ainda não conheces? :)

Robots e gigantones


Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje. Não sei que idade tinha mas sei que durou alguns anos. o delírio era este: olhava para todo o lado e em todas as pessoas imaginava autómatos, seres fabricados numa espécie de grande fábrica vinda do fundo dos tempos. Esses robots humanos existiam, naturalmente, apenas para manter à minha volta um gigantesco mundo de aparências.
Não sei em que categoria psico-cognitiva ou psicanalítica integrariam os especialistas esta experiência, mas lembro-me perfeitamente de, a momentos, chegar a acreditar nesta fantasia. E também me recordo de pensar que precisava de reter com todas as minhas forças esta ideia, para que quando chegasse basicamente à idade que tenho hoje, continuasse ainda aquele que eu era, escapando ileso à invisível conspiração das máquinas.
Às vezes interrogo-me se no olhar das novas crianças não se esconderão outros delírios deste género, talves visões mais contemporâneas ligadas ao mundo das consolas. Ou se os nossos pais-crianças percorriam com o olhar os seus adultos, imaginando gigantones e cabeçudos disfarçados.
Pirralho sofre...

How's the family?


Quem conhecer a discografia do Lou Reed melhor do que eu, há-de saber de que álbum é uma música 'Families' (talvez do 'The Bells'?), em que ele desfia o rosário de emoções e complicações que são os laços familiares. A minha teoria em relação às famílias é a de que as devemos manter o maior tempo possível afastadas das nossas relações amorosas. Talvez isso tenha a ver com a maior ou menor dificuldade que cada um tem em comunicar com o próprio passado e presente desses laços, mas também tem a ver com o receio das rupturas. Romper numa relação em que as famílias já foram chamadas ao barulho não é só romper com o namorado, é quebrar com todo esse mundo afectivo, e isso pode ser muito mais complicado (para todos).
Mas pronto, toda esta elaboração mental não resistiu ao charme imbatível daquele casal, e os pais do Venus entraram na minha vida, pressentindo a minha orfandade emocional. Ainda hoje, passados 5 anos, tenho dificuldade em decifrar aquela tranquilidade, o calor que sinto na sua presença, como se emanasse do próprio ar um abraço reconfortante, daqueles que nos acalmam na infância depois de um choro convulsivo.
Recomendava, se soubesse onde se arranja mais...

Paradoxo erótico

Por muito doce que seja, um homem sabe sempre a sal.

Sophia (1919-2004)


Naquele Tempo

Sob o caramachão de glicínia lilaz
As abelhas e eu
Tontas de perfume

Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas

Abril de 98



Sophia de Mello Breyner Andresen

Planeta Ju


De todas as grandes conquistas (e não foram poucas) que associo ao início da vida activa, ela foi a maior. Primeiro simplesmente boa colega de trabalho, camarada, profissional e simpática, a metamorfose deu-se numa tarde escaldante do Verão de 2001.
"Preciso urgentemente de falar contigo, não aguento mais", disse eu.
"O que foi, lindo?"
"Porra, tou com a vida toda emaranhada, como um nó de marinheiro feito por uma criança traquina. Conheci este tipo que me trocou as voltas e agora tenho o casamento em perigo."
Pacientemente, vi-a iniciar a sua serena rotação e digerir, imperturbável, os factos: que eu gostava de meninos, que até namorava com um, e que era capaz daqueles arrebates de ansiedade e pânico. Doce como um véu, lá foi desatando aquele nó, e mostrou-se. Desde essa tarde, passei a ser um satélite, girando incessantemente na órbita do planeta Ju.

Working boy

De volta ao trabalho a tempo inteiro, não sei por quanto tempo.
Ao fim do primeiro dia, para esquecer, fui correr na praia deserta (semi-final República Checa-Grécia), contra um vendaval dantesco.
A tentação da metáfora é grande.
Deverei mudar de ramo?

O Corpo do David


Enquanto passeava ontem à hora de almoço pela FNAC fui surpreendido por mais um livro do David Leavitt, publicado na nossa língua. Como assíduo leitor que sou dos livros dele não hesitei em comprá-lo. Chama-se "O Corpo de Jonah Boyd" e uma vez mais é publicado pela Teorema (ao olharmos para a nossa prateleira de livros de temática LGBT, o Major Tom comentou que deve haver alguém muito "gayfriendly" nesta editora...). Já li as primeiras páginas e como habitualmente fiquei logo preso à história. Vamos a ver se o David é capaz de me surpreender como fez com "A Linguagem Perdida dos Guindastes" ou com "Enquanto a Inglaterra Dorme".

Manjares saudáveis...


Numas das minhas últimas passeatas pela web, dei de caras com um blog interessante para todos os adeptos de comida saudável e vegetariana, mesmo que não o sejam a tempo inteiro (tal como eu). Receitas que abrem o apetite e informações úteis sobre os alimentos, fazem com que percamos algum tempo neste blog e voltemos mais vezes ;)

Othelo nas Semi-finais

Um simples convite por telefone, e lá vou eu com a loira mais boticcellica do planeta ao teatro, shakespeare em pleno horário de semi-finais Portugal-Holanda. Palpita-me que vamos ser os únicos na plateia do são João! Eu também fico a torcer, mas por uma versão em que Iago e Othelo assumam de vez a sua paixão ardente (aquela tensão toda tem de vir de algum lado, não pode ser tudo por causa de uma tipa com nome de flora marítima..).
Entretanto, para banda sonora dos tempos que correm, dentro e fora de mim, só mesmo uma juventude sónica...

O Professor


Em todo o meu percurso escolar, longo e irregular – estamos a falar de 12 anos repartidos por 4 escolas, mais 8 anos a arrastar uma licenciatura até à sua conclusão – feitas as contas, devo ter conhecido uns bons 70 professores. Autoritários uns, chatos outros, interessantes, patetas, altos, feios e bonitos. Achava de todos eles, porém, uma mesma coisa: que existiam apenas na escola, como se tratassem não de pessoas mas sim de personagens que apenas entram em cena quando chega a sua deixa. Sempre estranhei encontrá-los fora do seu habitat, na rua, num cinema, ou pior, na praia ou num bar. Era como se repente algo no mundo se quebrasse, ou a minha própria relação com ele. Ainda agora, e apesar de já não ser estudante há 3 anos (se excluirmos a escola da vida e do trabalho), me constrangem esses encontros, e não tenho vergonha de admitir que fujo deles como se foge de um cão nervoso sem trela. Como há uns dias, ao acompanhar a minha mãe a uma consulta no hospital. Dou de caras con la maestrina de Sociologia Rural e Urbana, a conversar neurótica e alegremente ao telemóvel. Sem escapatória, encurralado num canto, lá tive que gramar durante pelo menos uma hora com aquele interminável relato íntimo (aaarrhg!), num volume que mim parecia próximo da vociferação.
À conclusão: os professores também ficam doentes.
Faz-me pensar... será que as minhas formandas também me vêm da mesma maneira? Lembro-me daquela vez em que me cruzei com elas, acabadinhas de sair de um espectáculo no Coliseu(cortesia da instituição), e eu a descer já um bocado acelerado pelo álcool a rua Passos Manuel, em direcção aos Maus Hábitos: "Olhó doutor!!!"
Socorro!! Eu sou o meu pior pesadelo!!

Polly Jean Harvey


Não consigo perceber como foi lá parar, mas a Nebbia encontrou forma de assistir na primeira fila a um concerto da PJH: procurem o post "A Noite Dela", de 27 de Junho, e liguem as colunas...
Para nos consolar quando a febre teima a não baixar ou simplesmente para nos abrir o apetite para Vilar de Mouros.

Madrid, olé!

Estava a responder a um mail de uma amiga que está esta semana em Madrid, a frequentar um curso. Tentava convencê-la a ficar lá até Domingo, para assistir ao Pride de Sábado, que desta vez parece, pelas previsões, que irá ultrapassar um milhão (1.000.000!!) de pessoas a desfilar. Até a mim me estão a dar umas ganas de participar! Alguém alinhava numa comitiva?
Esta altura é óptima, de Espanha sopram ventos de mudança e o alargamento aos países de leste precisa de ser acompanhado nesta temática (as alterações legislativas foram feitas, mas há um longo trabalho de sensibilização que precisa de ser feito, a acreditar nos inquéritos sobre atitudes).

Vejam lá, hoje fala-se em desfile, mas em 1969, junto ao bar Stonewall, tudo começou neste tom.

Queer as Folk na 2:

Depois de vários anos a ouvir falar na série televisiva "Queer as Folk", eis que ela chega à televisão portuguesa pela mão da 2: (este canal está a surpreender!). Parece que ainda não tem data marcada mas deve estar para breve... ;) Mais uma série para acompanhar atentamente.

Febre e o Levítico


Pois é, lá se foi ao ar um fim de semana na Galiza, com esta infecção na garganta e a febre resultante. Regressamos de Caminha, eu para me drogar com antibióticos e aspegics, o Venus para pôr em dia a necessidade de pastar em casa...
Entretanto, aproveito para dar os parabéns a todos e todas os que compareceram ontem na Marcha, nesta altura em que, entre outra febre, a do Euro, e as cambalhotas políticas dos últimos dias, é tão difícil fazer-se ouvir.
Chegou-me também este texto, sem indicação da origem (peço desculpas). Ora vejam lá...


Dúvidas bíblicas...
De homossexualidade & preconceitos (sob o nome de Deus como álibi!)

Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: «É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: " Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação". A Bíblia refere assim a questão. Ponto final», afirmou ela.

Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia: «Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas.

Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço? O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos? Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do Êxodo, capítulo 25, versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora? Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite? Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14? Confio plenamente na sua ajuda.»

"Não diga que não vê"

Já saiu o segundo número do jornal Elgêbêtê. Para ler, reflectir e passar aos amigos.

O Corpo

Habituei-me, desde cedo, à actividade física. Primeiro com os meus amigos, com quem percorria desalmadamente a infância e brincava, de preferência até ficar esgotado. Seguiram-se aulas de natação no FCP e, mais tarde, a ginástica, onde aprendi a compreender o controle e a disciplina que podemos imprimir ao corpo. Ainda fiz duas pequenas temporadas no andebol, onde percebi que sou desprovido de espírito de competição; estrela nos treinos (onde corria mais do que todos e exibia um remate potente, ainda por cima esquerdino), apagava-me nos jogos, angustiado com o ambiente de viril batalha campal.
De qualquer das formas, ficou a necessidade de trabalhar o corpo. Sinto-me enferrujado com duas semanas sem exercício. No desporto lá vou procurando o vazio mental que me prepara para mais uns dias neste planeta. E o espelho agrada ao ego. Já estou como a outra: se eu não gostar de mim...

Um, dois, três

E se um dia um desconhecido num chat te propuser um trio, chegar a tua casa de mota, se despir e entregar ansiosamente o seu generoso corpo e se fôr embora com um sorriso, atrapalhado com as horas, deixando no ar o cheiro da sua cumplicidade?
Isso é impulse!





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