O mar dos outros


"Vai ver o mar por mim. Não sabes a falta que me faz."
Mensagem perdida na caixa de correio, da minha italian connection. Fica a promessa, logo que possa (talvez consiga escapar ao fim da tarde).

Uma pausa com...

... orisinal.

Músicas...

É o Major Tom com a "Video killed the radio star" na cabeça e eu com "Everybody's gotta learn sometime"...

Change your heart, look around you
Change your heart, it will astound you
And I need your loving like the sunshine
And everybody's gotta learn sometime
Everybody's gotta learn sometime
Everybody's gotta learn sometime

Video Killed the Radio Star


O título do post é absolutamente arbitrário, apenas a música que me ronda na cabeça desde ontem à noite, mais um acto de insónias regadas com conversas no messenger. Desassossegou-me a revisão de Alice, um filme do Woody Allen, com a "falecida" Mia Farrow (sim, essa da foto) no principal papel. Basicamente gira em torno da futilidade da sua vida e da necessidade de mudança despoletada por um affaire extraconjugal. Como frequentemente me acontece com as suas histórias, fico contagiado pela melancolia e leveza daquela Nova York e pela candura das personagens. Faz-me quase acreditar que as coisas impossíveis estão quase todas ao nosso alcance...

Pedro & Alberto

Olhem o CD que acabei de comprar na minha hora de almoço!

Desde "A flor do meu segredo" que Alberto Iglesias colabora (e muito bem!) com Pedro Almodóvar, compondo as músicas para os seus filmes.
Estou ansioso por chegar a casa, poder escutar esta banda sonora e rever mentalmente algumas das imagens que mais me marcaram no filme. Algumas cenas almodovarianas são mesmo impossíveis de dissociar da música albertiana. :)
E por falar em Almodóvar, vejam a colecção que está a sair aos domingos do outro lado da fronteira.

Putz!

Não será já dureza só por si ser uma segunda-feira? Era preciso ainda estar mal da barriga, que o carro não pegasse, que começasse a chover em pleno percurso apressado para o trabalho e dar de caras, logo pela manhã, com o meu coronel, que me informa, com um brilhozinho maquiavélico nos olhos, que temos que deixar de fazer telefonemas, porque o programa não paga?
Terapia anti-neura procura-se...

Suspiros e diospiros


É uma rima pirosa, mas é o que me está na cabeça neste momento. Acabei de comer um belíssimo diospiro (o primeiro do ano) e fiquei nostálgico, ao recordar quando ia com o Mário e o Nuno roubar fruta ao jardim do vizinho ou mesmo, uma vez, ao jardim da Casa das Artes (sim, diospiros enormes que ninguém aproveitava), junto à pequena piscina do antigo palacete. Pensar que nessa altura era outro fruto que me apetecia trincar, e mal me permitia pensar numa visita a esse pomar...(olha, outra rima!)

Tropas na rota do saber


Nada como entrevistar seis pessoas diferentes por dia para combater preconceitos. Não é que tenho conhecido militares com percursos e cabeças espantosas? Temos muito que aprender com esta espécie a que chamamos humanidade. Por mim, sinto-me cada vez mais supreendido, sobretudo por redescobrir esta minha adormecida capacidade para me supreender, bom indicador das pré-noções que eu não sabia possuir. Noutro plano de leitura, também é bonito sentir o seu embaraço perante um homem - eu - a quem têm que confiar a sua história de vida, ou pelo menos uma sua versão (claro que todos fazem questão de fazer reluzir o anel de noivado...).
I feel alive.

gato das botas


Por algum motivo para mim ainda insondável, esta sempre foi das minhas histórias preferidas (que diria disso um psicanalista?). Este desenho ofereci-o há uns anitos à Matilde, que eu vi crescer e transformar-se num turbilhão, como é frequente acontecer às crianças que perdemos de vista.

O corpo é que paga...

Há experiências que submetem o nosso corpo a uma espécie de prova de contrastes. Sábado à noite: Festa da Gigi no Triplex. Ambiente animado, suor e bebidas com nomes exóticos, corpos indistintos e refrões mal traulitados. Direito a parcas horitas de repouso antes de nova partida para o vale do rio Poio, incluindo marcha no leito rochoso e banhos na água já quase gelada de Outubro. Segunda-feira: terminar avaliações da formação, acabar a maldita grelha para o projecto Equal, avançar com os estudos. Preparo-me para uma corrida, a fim de destilar o álcool, os pensamentos e "regenerar o corpo e o coração"...

Eu digo


Statement número um: o filme The Village poderá ser a tese derradeira sobre o terror como hipótese de construção social.
Statement número dois: festas em Belas Artes sem a distribuição de máscaras de oxigénio não dá!

Jamie Lee


Um Coltrane melancólico e furioso sobre o piano genial do Ellington, logo pela manhã, a fazer dissipar não o nevoeiro que invadiu a cidade mas o que estava prestes a instalar-se-me na alma. Em casa, colectâneas dos Cure e Bauhaus transportam-me ao 9º ano, na António Sérgio, onde finalmente descobri que havia um mundo para além da infância, com o Peixoto e o Mosca a iniciarem-me na música, no tabaco e nos filmes de terror. Em casa passavamos horas a imitar os Chameleons ou a falar de planos-chave do John Carpenter e a admirar a coolness do irmão mais velho do Daniel, com o seu look dark e as t'shirts com as famosas silhuetas dos Echo & the Bunnymen.
Que bom era pensar que a minha ideia de diva ia ser para sempre a Jamie Lee Curtis no Halloween...

Autofotopost


Composição: Major Tom sobre declive vermelho.

"O quereres"

Nisto dos quereres há muito que se lhe diga, e é daqueles dizeres que eu gosto de partilhar com o meu camarada virtual alentejano. O mano Caetano também já deve ter traquejo no assunto, a avaliar pela complexa situação cantada nesta música:

Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco,garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim


Cetano Veloso

Te quiero!

oh run run run run

Digam o que disserem, conheço poucos prazeres melhores do que correr num fim de tarde de Outono pelo Parque da Cidade, sobretudo quando atravessamos um pequeno corredor já atapetado com folhas secas caídas e de repente o Sol nos ofusca por entre alguns ramos semi-despidos. No regresso a casa, é só pôr um k7 com Bach no leitor do carro e dar por concluído o terapêutico encontro com a natureza e o corpo, que fica assim restaurado para outros massacres.

Depois do show de Ney


Possível slogan para marketing MPB:
Reality is an ilusion created by the absense of Ney Matogrosso

2046 a caminho!

O poster a perseguir...

Bruce La Bruce meets Berlin


Detesto reconhecer que perdi oportunidades únicas. Há cerca de 3 anos, por ocasião da única extensão do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa no Porto, era colaborador da Associação Nós, um pequeno grupo que chegou a dinamizar algumas actividades bastante interessantes na Invicta. Fomos contactados pelo Celso Júnior no sentido de acompanhar um certo senhor Bruce La Bruce numa visita guiada à cidade antes da apresentação de um mini ciclo dedicado ao seu trabalho. Por um motivo ou outro, ninguém se mostrou disponível. Obviamente que hoje em dia não concebo o que pudesse ser mais interessante do que conhecer este artista (realizador e fotógrafo) absolutamente peculiar. Veio-me isto à cabeça a propósito do OVNI que aterrou na sala 3 do cinema Quarteto no passado sábado, à laia de encerramento da edição deste ano do referido festival. Raspberry Reich deixou-me completamente KO. Trata-se de um manifesto libertário (deverei dizer um agit-porn?) filmado em Berlin, cruzando referências que vão desde Wilhem Reich, Karl Marx, Godard, pornografia e iconografia de esquerda (que heresia, a masturbação sobre a cara do Che Guevara!). O filme caiu como uma bomba na pequena sala. Se conseguisse um cartaz do filme,ia direitinho para a parede que vejo à minha frente, carinhosamente colocado ao lado de uma imagem do Pasolini nú e de punho erguido.
"JOIN THE HOMOSSEXUAL INTIFADA!"

a b c d e f g h i j k...

Um certo Elfo galego falou-me de um tal Edward Gorey (parece que os trabalhos do Tim Burton foram inspirados neste senhor...). Fui ao Google e vejam onde fui parar! :)

Vai um cházinho?

Soube tão bem ontem ter saído do trabalho e ido até à casa de chá do Artes em Partes, na Miguel Bombarda! E soube ainda melhor estando na companhia da boa amiga Teresa! Como se chamava aquele fantástico chá gelado?... Ai, a minha memória...

The man is back



A ave canora de Matogrosso regressou. Fiquem com a Madonna; se eu quero show, sempre soube qual o bilhete a comprar!

Férias da vida

"(...) certa vez conheci um homem que afirmava que de vez em quando, só para tirar férias da vida, escolhia alguém numa multidão - qualquer pessoa, um homem de fato azul, por exemplo - e seguia-o durante horas, sempre atrás dele nos comboios, nas lojas, nos elevadores, nos parques... e que felicidade insustentável aquilo lhe proporcionava (...)"

Cartas de Veneza - Robert Dessaix

Banda sonora

Sem nenhuma razão em especial estas músicas têm-me acompanhado nos últimos meses. Lá vou trauteando interiormente quando estou na paragem do autocarro, quando estou a trabalhar ou quando estou a apanhar sol numa esplanada. E quando ligo o auto-rádio ou a aparelhagem de cá de casa delicio-me a sentir os seus ritmos e mensagens.

Con toda a palavra - Lhasa de Sela
Tomorrow - Durutti Column
Making plans for Nigel - XTC
Strict machine - Goldfrapp
In a manner of speaking - Tuxedomoon
What your soul sings - Massive Attack
Alone in Kioto - Air
Just like honey - Jesus & Mary Chain
Caro Diaro - Nicola Piovani
Au jardin métallique - Katerine
Vökuró - Björk

;)

Monstrinho and Super Sue got married

Sim, é verdade, mais um casal amigo deu o nó (esperemos que não muito apertado). Eles sabem a minha opinião sobre o casamento, e partilham eles próprios uma noção peculiar da instituição. Talvez por isso tenham achado sensato convidar-me para uma reportagem fotográfica da festa. Ainda não vi os resultados, mas sinto-me ansioso e céptico com os resultados (acontece sempre assim com as encomendas; já em pequenino derrapava quando me pediam um desenho...).
Não tive coragem de admitir que me senti comovido (va savoir...) quando decidiram trocar uma noite no Hotel Solverde de Espinho pela apertada suite do nosso quarto amarelo para visitas. Viva o Monstrinho! Viva a Super Sue! Hip hip! Hurrah!
PS: ao nosso lado, uma conviva de última hora encaixou-se na nossa mesa e ficamos mais aconchegados com a sua presença - Foxy Mary J., aquele jantar tem que ficar para breve!

Mudança

Talvez seja do calor, mas tenho respirado um clima de mudança, não propriamente em mim, ou antes, não apenas em mim mas um pouco por todo o ambiente humano em que me relaciono. Talvez seja esta expectativa um pouco insensata de mudança de trabalho (que me empurra a responder a anúncios semana após semana) ou tão simplesmente a mudança de estação, que transforma as ruas em campos de batalha por um estacionamento. Talvez seja a ansiedade e esporádico desespero da minha irmã à espera de colocação, a palavra-chave para uma mãe de duas criaturas a precisar de sustento. Talvez seja a raiva, que transforma o Major Tom num guerrilheiro prestes a deixar o código de guerra na gaveta, com toda a miséria com que diariamente convive...

Em 2046 terei 68 anos...

Espero ansiosamente a chegada do novo filme do fantástico realizador Wong Kar-Wai. Alguém sabe quando estreia em Portugal? Já passou tanto tempo desde o In the Mood For Love... :(

Papá

Todos os anos a mesma coisa. Nunca sei o que oferecer ao meu pai como prenda de aniversário. Tem que ser algo que algo que não ponha a claro a necessidade que sinto de manter distância, sem que sugira que me sinto magoado ou zangado; algo suficientemente ligado às suas raríssimas manifestações de interesse pelo mundo para permitir que consigamos estar sentados à mesma mesa, sem que dê indicações que compactuo com a sua forma de estar; algo diplomático e que não estrague o clima do jantar de família sem parecer demasiado impessoal...
Help!

Vidas de adulto


Continuando sem saber muito bem o que me volta a empurrar de novo para este ecrã, o teclado vai deslizando com um ritmo desigual debaixo dos meus dedos, sobretudo neste horário em que tento escapar dos meus compromissos - o intervalo para almoço. A manhã foi de arrasar, com sessões individuais a adultos exigentes e verborreicos. Pode parecer simples mas, depois de uma noite de insónia, até o burburinho da cidade me faz confusão, e esta é uma situação em que tenho que estar (ou parecer) hiper concentrado: tratam-se de histórias de vida que tentamos reconstituir para balanço de competências. O inevitável: adoramos que alguns adultos nos chateiem durante horas; outros, contudo, aborrecem-nos até ao desespero ao fim de dois minutos...





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