O rasto de Tarnation

Não me apetece comentar o filme, sugestivo e sentido patchwork de memórias pessoais, apenas o seu efeito, ter-me devolvido à memória a recordação de uma tia que 'estagiou' em minha casa enquanto se submetia diariamente a um 'tratamento' de choques eléctricos. Como criança, a coisa já me assustava, e era desesperante perceber o efeito que isso tinha não apenas na minha tia, embora sobretudo nela, que se transformou naquele período numa espécie de fantasma de corpo inchado, mas também em toda a minha família, que vivia na encruzilhada das prescrições médicas, da resistência da 'doente' ao tratamento (que se explicava, segundo os médicos, pela própria doença), e da nossa própria vontade, nunca assumida, de ver aquele pesadelo terminar o mais rapidamente possível. Talvez nunca tenha conseguido avaliar totalmente o impacto que isto teve no nosso núcleo, na nossa incapacidade para comunicar de uma forma equilibrada. Certamente a medicina, se um dia se dispussesse a ouvir, teria muitas lições a retirar destas pequenas mas brutais histórias de vida.
Legoland

Em época de forte (?) religiosidade, aqui fica um link que ajuda a iluminar as mentes mais hereges :) Onde estarão guardados os meus Legos?
Tarnation.mp3
Esta é para ti minha boa amiga Ju! Se não conseguires ouvir avisa!
Your greatest creation is the life you lead
Mais pertos

"Pelo menos 47 pessoas morreram e 81 outras ficaram feridas, esta quinta-feira, num atentado anti-xiita em Mossul, no norte do Iraque, segundo um novo balanço hospitalar revisto em alta." (TSF Online)
Quantas pessoas já morreram no Iraque? Em que dia se homenageiam estas vítimas?
Memórias de Celulóide: Orphee, de Jean Cocteau

Ainda a meio da minha adolescência, apaixonei-me perdidamente pelo filme, recriação do mito de Orfeu: resumidamente, Orfeu, músico e poeta, apaixona e enfurece com a sua arte os deuses, que como vingança lhe matam Euridice, a sua mulher; inconformado, Orfeu decide descer ao abismo e desafiar a Morte, conseguindo resgatar a sua amada, na condição de não voltar a olhar para ela nunca mais... o que não conseguirá, perdendo-a para todo o sempre. Na versão de Cocteau (e não Clusot, como insistiu três vezes a Luiza Cortesão numa aula), Orfeu, ou melhor, Jean Marais, actor-fétiche e amante do realizador, senhor de dicção perfeita e semblante único, parece ambiguamente atraído pela Morte, interpretada por uma inesquecível Maria Casares, sugerindo uma outra intenção ao trágico desenlace. Claro que a novidade era o toque de Cocteau, na sua reinterpretação do mito à luz da contemporaneidade: a acção passa-se agora nos anos 40 do século XX (daí as belíssimas passagens do reino dos vivos para o reino dos mortos, onde circulam operários alienados no trabalho, indiferentes à sorte dos protagonistas).
Para mim tem o poder de relembrar, a cada visionamento, o poder do cinema como mola de crescimento.
PS: a imagem mostra-nos Orfeu (Jean Marais) contemplando o seu reflexo, como Narciso, e foi reapropriada 40 anos depois para a capa de um álbum dos Smiths, que sempre circularam nestas águas trágicas...
"São vidas, senhor... são vidas..."
E para uma pausa, nada que melhor que... Projecto Life on Board (cada vez mais compreendo as verdadeiras vantagens de ter uma ligação à Internet super-rápida! Viva!!)
Análise sexual

Existem dois tipos de pessoas: as que gostam de fazer amor apenas no momento em que as coisas estão a correr lindamente, quase como prolongamento natural e exponencial do bem estar; e, por outro lado, as que acreditam no sexo como forma de transformar o estado de espírito, recomendável, por tanto, mesmo que o ambiente esteja 'pesado' (ou mais recomendável ainda nesta situação, como válvula de escape). Para uns, portante, a coisa parece resultar DE um bom momento. Para outros, resulta NUM bom momento. Não me parece coincidência que os primeiros sejam maioritariamente mulheres e os segundos maioritariamente homens. Ou será só impressão minha?
PS: de vez em quando uma imagem hetero para também apelar daqui à diversidade...
Olhá competência!

Estou contente. Amanhã certifico mais nove adultos. Bem sei que nestas andanças temos um papel por vezes ingrato: validamos sobretudo as competências que, neste momento, a sociedade, e sobretudo o mundo de trabalho, elege como fundamentais para qualquer cidadão. Poderiam ser estas, mas poderiam ser quaisquer outras, e estou ciente que o meu/nosso esforço por tentar valorizar o que tem sido até agora esquecido por todos, a começar pelos próprios candidatos, nunca é totalmente conseguido: por déficits na troca linguística, por dificuldades mútuas na decifração de códigos individuais, pela necessidade de cumprir metas ou pela urgência que os indivíduos transportam, as barreiras sucedem-se e as pontes revelam rapidamente a sua fragilidade. Mas ocasionalmente os milagres acontecem.
Para quem não está a par, refiro-me ao processo mais conhecido como RVC - Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, que permite a pessoas com mais de 18 anos obter um grau de escolaridade com base num balanço do seu percurso pessoal e profissional. Ainda hoje uma delas me confrontava com esta dificuldade, que consubstancia na perfeição o que eu considero um verdeiro dilema ético: o seu percurso é caracterizado por uma série de experiências de vida tão absolutamente extraordinárias como socialmente questionadas. Desde petiz que se iniciou nos meandros da economia paralela, tendo já adulto vindo a ser preso no Brasil por tráfico de materiais electrónicos. Desde adolescente assume-se como toxicodependente, estando actualmente abstinente. Partilha regularmente a sua vivência em escolas e outras entidades através de ONG's anti-racismo. Uma verdadeira flecha de incorrecção política a desafiar os limites de um processo politicamente correcto.
Olhe, senhor, são vidas!
P.S.: a imagem, obviamente, é do Magritte, e estou grato a uma certa aula onde me relembraram com ele o poder destabilizador da arte.
Cachorro!

Precioso, como diriam nuestros hermanos, é um dos adjectivos que aplicaria a este filme, de Miguel Albaladejo, que dificilmente passará nas salas portuguesas. A história de um rapaz de nove anos que, pelo 'desaparecimento' da mãe acaba por ser deixado ao cuidado do tio, um médico independente e hedonista, residente no conhecido bairro madrileno gay da Chueca, perfeitamente entrosado na sub-comunidade bear, parecia ser o pretexto ideal para mais uma daquelas comédias de situação a la americana. Mas o filme segue por caminhos pouco óbivos, e oferece um retrato humano sobre o que podemos entender como família, sobre a partilha da dor e do crescimento. A questão das novas formas de família, e designadamente da homoparentalidade é apresentada sem pedagogias fáceis e delicodoces: tudo é difícil e agitado, como na vida real acontece com todas as famílias. Se estivessemos num país em que os professores se preocupassem verdadeiramente com o valor da diversidade e da igualdade, seria de projecção obrigatória nas escolas.
Sentido: capital - invicta

De regresso ao Porto, após dois dias de acolhimento animado na capital. Raras vezes me senti assim recebido de forma tão hospitaleira, e confesso que desta cidade essa não costuma ser das minhas primeiras expectativas. É sempre bom sermos supreendidos pela realidade, ver cair por terra e posto a nú o conjunto de evidências em que nos tornamos e em que acriticamente acreditamos. Começa aqui a interculturalidade, nessa disposição para aprender e replicar, dar e receber (“devia ser a nossa forma de viver”, não é, António?).
Kafkiana, a tentativa de encontrar estacionamento a partir da meia noite no Bairro Alto. Simpático e convidativo, o espaço e o atendimento do Centro Comunitário Gay e Lésbico, onde provei a minha primeira... Piña Colada!
De abalada...

... para Lisboa, para um fim de semana de formação. Por esta altura, já quase nem acredito como fui capaz de lançar a mim próprio mais esta facada na minha já de si caótica gestão do tempo. Os horários provocam mais uma noite com débito de horas bem dormidas. Tenho que confiar no café para me aquecer o corpo e a alma, que se preparam para sair ainda de noite para o ar gelado. Aguarda-me uma viagem de comboio e a respectiva promessa de deambulação mental típica dos não-lugares (Marc Augé dixit). Segunda-feira procurarei analisar as consequências...
O gay reproduzido?

A propósito de um texto do Claude Dubar, em que nos fala do Pierre Bourdieu e do seu conceito de habitus, reflectindo sobre o conceito de identidade e sobre as implicações desse conceito na socialização e na educação, continuava a rodar na minha cabeça a ideia de que tudo isto se parece tornar problemático e ainda mais intrigante se estivermos a falar da hipótese da existência de uma identidade homossexual. Acho que foi o Miguel Vale de Almeida que relembrou uma vez, já não sei onde nem quando, que o indivíduo que se identifica como homossexual fá-lo frequentemente num vazio de referências, sem se sustentar em qualquer património anterior nem se apoiar numa comunidade onde se possa identificar. Ou seja, como podemos pensar nestes termos em reprodução identitária? Ela sustentar-se-á tão somente no único ponto que parece surgir como comum - a descriminação? Onde está o guião para este papel?
Les temps qui changent

Enquanto digeria a leitura do "Ser Igual, Ser Diferente - Encruzilhadas da Identidade", do Ricardo Vieira, era impossível não contaminar com as suas palavras o visionamento do filme escolhido para o Sábado à noite - Os tempos que mudam, o tal do reencontro do par Deneuve/Dépardieu (aqui na foto, com o malogrado François Truffaut, por alturas da estreia do Le Dernier Metro; curiosamente a foto serve no filme como registo de um passado em relação ao qual os personagens reagem; é esse de resto, um dos cernes do filme). O filme emergiu assim com um segundo nível de leitura totalmente inesperado, mas certamente intencional, onde o eixo de interpretação reside no confronto de duas culturas - a francesa e a marroquina. É verdade que todo o filme parece filmado de forma agressiva, movimentos de câmara agitados, uma coluna sonora pejada de ruídos encrespados, animais sanguinários ou sacrificados, quase como se o realizador nos quisessse fazer sentir o desconforto dos personagens. E todos eles representam um ponto que podemos localizar ao longo desse eixo cultural. Retomando as expressões do Ricardo Vieira, estamos perante uma verdadeira paleta multicultural, mas dificilmente intercultural. Não tenhamos ilusões, aqui não existe uma troca, no sentido verdadeiro da palavra. O paradigma parece residir nas duas irmãs gémeas: ambas marroquinas de origem, emigraram para Paris, onde apenas uma continuou, assumindo a cultura de chegada e renegando a de partida (o verdadeiro oblato, segundo a expressão utilizada no livro); a outra irmã regressou a Tânger, onde vive cada vez mais imbricada no islamismo fundamentalista (é uma piada perversa a do realizador, que a coloca a trabalhar num restaurante McDonalds). Apenas Cécile parece em paz com a sua cidade de acolhimento, mas também ela nos revela que não aprendeu a língua local (nem aqui podemos assim falar de uma verdadeira trânsfuga, a personagem intercultural por excelência). Resta-nos o amante do filho, nativo, rei eremita recolhido num castelo abandonado, guardado a sete chaves da invasão do mundo.
Não será seguramente o melhor do Téchiné, que me ofereceu um deslumbrante "Os Juncos Silvestres", há mais de dez anos, mas é reconfortante ver que o cinema ainda pode ser assim. E a Deneuve será sempre obrigatória...
The azorean spirit... (parte II)

Já passaram três semanas desde o nosso regresso e a vontade de voltar é cada vez maior...
A t'shirt do Major Tom

Vejam lá a prenda de aniversário que eu recebi este ano. Uma t-shirt com um desenho criado pelo meu Major Tom e bordado pela minha "sogra"! Foi uma prenda e pêras!! Quando chega o Verão para poder passear com ela? ;) Te quiero cariño!
Fé nas pessoas

A incapacidade para olhar para alguém sem fazer juízos de valor nunca me pareceu mais posta a nú do que sempre que fico a saber em quem em que esse alguém votou no último Domingo. Never more!
A t'shirt do Ian McCuloch

Há quinze anos atrás descobria que o mundo podia ser olhado por um manto negro, urbano, melancólico, infinitamente mais sintonizado com o meu ponto de situação interior da altura. No quarto do Mosca e o Pacheco, a ouvir The Sound, Chameleons, Bauhaus (jamais algo com menos de 10 anos de rodagem, e nunca música que alguma vez passasse numa rádio comercial ou na MTV, suprema heresia) e sobretudo a achar o máximo do cool o irmão mais velho do Daniel, vestido de negro, com olheiras e ar pálido, t'shirt dos Echo & the Bunnymen, lindo de morrer. Do chão e da cama apanhavamos as guitarras, alguém simulava uma bateria com duas baquetas e um pedaço de madeira, ensaiavamos três acordes no baixo... e sonhavamos. "Over the wall..."
A balada de Clint

O último filme de Clint Eastwood parece querer tocar-nos onde raros artistas conseguem, nesse lugar indefinível que nos leva à comoção. Talvez seja aquela ideia de existirem estes seres que atravessam a vida abolutamente determinados a existir, quase como se impelidos por um vento invisível que não soubessem como combater, até se resignarem à sua força. Talvez seja também pelo fascínio e dor que esses mesmos seres provocam à sua passagem. Depois há a questão da fé, ou melhor, da ausência dela, quando apenas restam as pessoas atiradas umas contra as outras pelos desígnios que ninguém escreveu. Para mim a fé reside em qualquer lugar a que chamamos casa, quatro paredes com odores corporais, sons de passos e conversas, ecos, uma tarte de limão 100% natural, um rosto parado a contemplar o Inverno.
Seja como for, por este andar, não saberei que palavras se vão colar à obra deste intrigante, embora sempre clássico, autor. Para o Million Dollar Baby, só me vinha à cabeça uma: crepuscular.
Crescer é...

... aperceber-me que dantes achava que todos os que encontrava no meu caminho eram maus até prova em contrário (ai, o cepticismo da adolescência... foi-me bastante útil em variadas ocasiões, e um belo impecilho noutras), e admitir que agora sou alguém que acredita no bom fundo dos outros, até que me dêm um bom motivo para me desiludir. Vem isto a propósito desta onda de amigos que este ano ficam trintões, e onde me incluo. Prós: estou mais à vontade com a minha imagem e auto-conceito global (não há nada tão cruel como os pensamentos de um menino de 20 anos); o equilíbrio entre a ordem e o caos parece mais fácil de alcançar, e nada me diz neste momento que eles não possam caminhar juntos.
Cheira-me que voltarei a este assunto...
The azorean spirit...

É difícil, senão impossível descrever num simples post o pequeno turbilhão de sensações que a viagem aos Açores proporcionou. Contudo, como não há tempo para mais do que esse simples post, fica o registo da paisagem avassaladora, dominada por um verde intenso (ainda não há flores, isso é lá mais para adiante no ano) pintalgado pelas incontornáveis e famosas vaquinhas (das quais fiquei fã: a partir de agora, produtos lácteos, só das ilhas!), a omnipresença do mar como pano de fundo, a magia das lagoas (com destaque para a das Furnas, que serviu como sede paras as nossas campanhas diárias), e a companhia inestimável de um grupo heterogéneo (18 pessoas) mas divertidíssimo, que se irá reunir na próxima sexta-feira num jantar para compilar as fotografias. Curiosidades: não existem açores nos Açores, apenas milhafres; o nome dado aos emigrantes que regressam à terra - os calafões, derivação fonética de californianos; os neologismos luso-americanos: desfrizar (descongelar), blanqueta (cobertor), suela (blusa), entre outras preciosidades. Lugares de eleição: a pequenina mas indescritível poça da beja; Rabo de Peixe, vila piscatória dominada pela pobreza e pelas crianças; Quinta da Água, em frente à lagoa, repleta de histórias, como ter servido como refúgio para um espião nazi.
A descobrir, sem pressas nem preconceitos.
Os de olhos azuis

Seminário de mestrado. Sumário: visionamento e debate em torno do filme Blue Eyed.
Uma senhora nos seus cinquentas, Jane Elliot, de cabelos brancos e olhos de azul penetrante, ensaia perante um grupo de adultos um jogo sobre discriminação, repetindo uma célebre e polémica experiência feita por si própria com crianças, trinta anos antes, numa outra sala de aula. A premissa: a professora informa que, durante um dia, os meninos de olhos azuis serão tratados na escola como seres inferiores, sofrendo como tal todo o tipo de vexação por parte dos colegas e da própria professora. O objectivo: tomar consciência, na pele, da realidade da descriminação, por forma a induzir um comportamento tolerante no futuro. O pano de fundo ideológico é claro: a crença na sala de aula como laboratório social e, sobretudo, na infância como resultado de um conjunto de interacções que induzem uma socialização direccionada intencional ou acidentalmente (o interaccionismo simbólico de George Herbert Mead anda por aqui). O grupo de adultos lá se foi tentando arranjar como podia, resistindo emotivamente às invectivas da inflexível senhora. Nenhuma vez o autor do documentário se lembrou de lhes perguntar o que sentiram. O ponto de vista era uno: Jane Elliot e a sua demanda anti-racista.
Findo o filme, a discussão entre nós não acendeu, cá para mim porque todos gostaríamos de acreditar que os preconceitos e todas as nossas fobias podem ser abatidas, como se um vírus se tratasse, com uma simples vacina, de forma rápida (ainda que dolorosa), ou assim, em jeito de psicodrama.
Que mundo teríamos agora se assim fosse?
"Da vida quero os sinais"
Ó Deus do fado menor
que reinas dentro de mim
faz com que a taça da dor
se encha de um vinho em flor
que mate a sede e o frio
Da vida quero os sinais
de uma gaivota na areia
o aroma dos laranjais
e a morte a quebrar mais
o amor sem eira nem beira
No espelho do que me encante
te fique um sopro de neve
que uma estrela se levante
quando este fado se cante
e a terra me seja leve
Mário Cláudio
(para o Sr. Teixeira. transcrito de ouvido pela voz da Mísia)
Vamos fazer...
... férias de blog pelo menos até quarta-feira.
Encontram-nos lá no meio do Atlântico!
Sabemos que estamos a envelhecer...
... quando encontramos vagos conhecidos por acaso na rua que nos dizem: "poça, estás sempre na mesma!"
Amor pós-moderno
Já não fazia isto há séculos. Apeei-me do trabalho e ao fim da tarde lá fui sozinho ao cinema, para ver o Closer (Perto Demais), um filme que anda a causar alguma discussão na blogaysfera. Não me arrependi: o filme deixou-me num estado meditativo que rareia agora nos meus dias (será que preciso de uma noite de insónias para entrar em contacto com o meu verdadeiro eu?) e revelou-me um texto seco, mas intenso, e uma atriz a seguir com atenção - Natalie Portman (na imagem). Basicamente, fala das relações e da intimidade no novo cenário definido pela modernidade tardia (ou pós modernidade, whatever), ou seja, vale tudo se o resultado final do nosso investimento der um saldo positivo, postas na mesa todas as cartas possíveis. Isso implica ter em conta que na vida nada é uma fatalidade, e o percurso vale enquanto formos felizes, ou acharmos que caminhamos no sentido da felicidade (ou da sua aparência, dá para todos os gostos). Lembrei-me de um outro filme - O Eternal Sunshine of the Spotless Mind - que também lidava com a ideia de intensidade e de eternidade amorosa de uma forma curiosa e, a meu ver, muito válida. Porque não inverter radicalmente as regras do jogo da sedução? A partir de agora, o período do enamoramente serviria para mostrar o pior que temos e somos. Daí para a frente, se resultasse, as coisas só poderiam melhorar... não era?
Insónias filosóficas...
Em noites de insónias (como a última) ponho-me a magicar na vida e coloco tudo em questão, incluindo a minha própria capacidade para trabalhar ou investigar. A sensação em relação à profissão é a de estar acorrentado a uma entidade para toda a vida e isso provoca-me calafrios. Todas as semanas me lanço em novas candidaturas, mas o efeito tem sido nulo. Para quando outro ponto nodal na minha vida, daqueles que nos fazem inflectir o percurso e refrescar os horizontes? Estarei a viver uma ilusão? Deveremos todos aguardar, como me sugeriu um correspondente no msn, pela mudança de governo? Qual o impacto de um programa político na nossa vida pessoal, agora que a vida pessoal dos próprios candidatos parece ser a poeira atirada aos olhos dos eleitores? Aqui ao lado já se respiram novos ares, com a legalização dos matrimónios homossexuais. Estaremos, cá no burgo, a contribuir realmente para a mudança?
Tipos de homens (segundo os informáticos...)
HOMEM INTERNET: - É preciso pagar para lhe ter acesso.
HOMEM VIRUS: - Quando menos esperas instala-se nos teus domínios e vai apoderando-se de todos os teus espaços. Se tentas desinstalá-lo vais perder muitas coisas; se não tentas perdes todas.
HOMEM SERVIDOR: - Está sempre ocupado quando necessitas dele.
HOMEM WINDOWS: - Sabes que tem falhas, mas não podes viver sem ele.
HOMEM EXCEL: - Dizem que faz muitas coisas mas geralmente só o utilizamos para as quatro operações básicas.
HOMEM SCREENSAVER: - Não serve para nada, mas diverte-nos.
HOMEM RAM: - Aquele que esquece tudo logo que se desliga.
HOMEM RATO: - Só funciona quando é arrastado.
HOMEM E-MAIL: - Em cada dez coisas que diz, nove são parvoices.
;)
Fabi e o seu novo AP
E aí Fabi? Meus parabéns pelo teu novo AP!!!! Não tenho carne de charque ou "flocão" mas levo vinho e enchidos bem portugueses! :)
Aqui fica a minha simples homenagem à minha boa amiga e colega de trabalho Fabíola.
P.S. - Eu sei que não tenho "postado" com a regularidade que os leitores deste blog merecem... Eu prometo que vou passar a contar com mais frequência as novidades cá da terra.
Diva Juliane
Podemos não gostar de tudo onde ela decide dar um ar de sua graça, mas já tem sido na mouche vezes suficientes para a lançar decididamente no Olimpo do celulóide (no meu personal best incluo O Fim do Romance, Longe do Paraíso e obviamente as duas colaborações com Paul Thomas Anderson). Aqui, fotografada primeiro pelo Mario Sorrenti...
... e depois pelo Michael Thompson.
(via Resistente Existencial, por sua vez via Esplanar)
Corropios domingueiros
Antes de criar este blog, tínhamos magicado a ideia de criar um outro só sobre viagens, lançando as nossas opiniões e sugestões em relação a tudo o que fosse sendo experimentado (bom, em quase tudo, claro...) nos nossos passeios. Posta de lado a iniciativa, deixo aqui um post perdido desse blog imaginário, relativo ao último Domingo.
Partimos ao fim da manhã, a estrada previa-se fácil e sem horários pré-estabelecidos. Em direcção a Aveiro, depois virando para o Luso, onde paramos para almoçar na acolhedora Pensão Astória (apesar do nome sonante, uma pequena pensão, quase esmagada pelo peso do grande hotel termal mesmo do outro lado da rua). Aí papamos uma deliciosa chanfana à bairrada, seguida de um divinal (em todos os sentidos) toucinho do céu. Fomos fazer a digestão nos jardins do Bussaco (ou Buçaco, conforme as versões encontradas nas placas), pondo as leituras em dia sob um solzinho reparador. No jornal, vários artigos gay-related nos chamaram a atenção (terá sido uma intenção editorial do Público?) Na primeira página, o abjecto, homofóbico e insuportável discurso de Braga do nosso primeiro, já sobejamente constestado, até pelos próprio militantes do partido, que mal vêm a hora de poder escolher outro líder. Na revista, um artigo sobre umas mangas japonesas que retratam relações entre homens - dizem que estão a causar grande furor no oriente (lá sempre trataram das questões de género de uma forma mais aberta) e agora no ocidente. Para completar, destaque para uma biografia sobre Abraham Lincoln, onde se desvenda a sua homossexualidade.
Consolados, avançamos em direcção à Anadia, e paramos na Curia, um belo parque com lago e mais edifícios (oitocentistas?) semi-abandonados, como que vestígios anacrónicos de um tempo de esplendor perdido para sempre. Destaque para o esplendor melancólico do enorme Palace Hotel (na imagem). Aí a sugestão é levar uma bicicleta na bagagem, porque o local é plano e convidativo. O regresso faz-se sem sobressaltos e é rapidinho, a tempo farto de jantar e de outras leituras.
PS: claro que a ideia era ter depois toda a informação bem documentada com os percursos ideais na estrada, quais os recursos necessários bem como toda uma série de outras informações que eu, como desorientado que sou, nunca seria capaz de fornecer (that woul be a job for Venus...).

