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"In a manner of speaking" - Tuxedomoon

Pop Surprise

Desculpem, mas este mês estou apaixonado pelos Depeche Mode.

Godard / Anna Karina #3


in Pierrot, le fou (1965)

Godard/Anna Karina #2


in Vivre sa vie (1964)

Godard/Anna Karina #1


in Band à part (1962)

New kids on the rock

Houve um tempo em que a minha fantasia era mais musical do que erótica. Fechar os olhos era imaginar-me um guitar hero ao estilo de Jimmy Page ou vocalista a la Robert Plant (hence o cabelo comprido que me acompanhou alguns anos). O meu período favorito, para além das mais emplumadas figurações de David Bowie ou de Lou Reed, era o do rock blindado de uns Led Zeppelin ou dos Deep Purple dos primeiros anos. Mais tarde, um conjunto de empresários musicais viram nessa raíz um filão rentável e criaram-se alarvidades a que chamaram heavy metal ou hard rock, onde nunca reconheci o rendilhado e a pujança dos originais. Felizmente, algumas gerações depois, a lição continua a ser agarrada por alguns poucos mas valiosos discípulos. Com vosotros, The Raconteurs (com o meu novo herói, Jack White):

Correr com o diabo


Amanhã vou estou algures no meio da multidão, para provar que pai é quem está por lá, ao lado da petizada. Quem me quiser encontrar, não terá grandes dificuldades: basta procurar o meu número de dorsal, que não teria sido melhor se fosse escolhido de propósito. Será que uma 'ajudinha' deste género é motivo de desclassificação?

O som da nossa vida

No estado actual das (minhas) coisas, só sobra tempo para (vos) dar música. No início do processo de digestão de um novo álbum ("The neon Bible"), ocorreu-me que ainda haverá por aí quem ache que já não se faz grande (mesmo grande) música como esta.

PS: recomenda-se a audição no volume máximo ;)

Só Moretti me entende

" O dever! O dever de fazer este documentário... não me apetece nada, mas devo fazê-lo... mas não me apetece. Que bom seria se finalmente conseguisse realizar aquele filme musical passado nos anos 50: à esquerda, todos por Estaline, mas... há um pasteleiro, um pasteleiro trotsquista, isolado, difamado, que solitário no seu laboratório, entre as suas massas e os seus pasteis, é feliz... e esquece... e dança.
(...) Hoje vou conseguir boas filmagens, importantes, sim. Apesar de ter um bocado vergonha, se ao menos conseguisse encontrar um modo de filmar sem que ninguém me visse... De qualquer das formas hoje estou em forma, sinto-o. E depois é importante fazer este documentário, e é uma coisa que eu gosto... apesar daquele filme sobre aquele pasteleiro... bem, isso seria outra história!"

La Mangano

Gloomy sunday. Ressacado de uma noite de Peaches DJ num teatro Sá da Bandeira perfeito para bailes de vampiros. Abandonei o show para onde fui sem companhia (senti-me um etnógrafo nocturno a deambular pelos corredores, tribunas e plateia), depois de alguém me ter queimado o meu casaco preferido (yep, veludo azul assim não se volta a encontrar). Para me animar, recorro à Silvana Mangano.

As botas de Sinatra

Sem tempo para postagens, but the show must go on... por isso fiquem com este belo exemplo do que a cultura pop pode trazer para a women's lib ;)

Contraponto


Philipe Lopparelli, "Electropia"



"Fuga é uma forma musical polifônica muito livre, utilizando as técnicas de contraponto. Divide-se nas seguintes partes:
Exposição: Corresponde à entrada das vozes, uma de cada vez. A primeira voz enuncia o tema principal (sujeito) seguido pela resposta (sujeito reapresentado em outro grau, geralmente a dominante), enquanto a voz anterior continua em contraponto (contrasujeito). A exposição termina após a entrada de todas as vozes.
Desenvolvimento: Nesta parte, o tema é reapresentado alternadamente em cada voz.
Episódio: material livre que liga as reapresentações do sujeito (tema).
Stretto: Entrada estreitada das vozes, de maneira mais densa do que na exposição. Normalmente reservada para o final da composição.
Coda: É o final da fuga, em que todas as vozes cantam, juntas, uma melodia conclusiva.
As fugas foram largamente exploradas durante o período barroco, especialmente por Johann Sebastian Bach, autor de obras como A Arte da Fuga, e posteriormente desenvolvidas no classicismo por compositores como Mozart, Haydn e, em menor escala, Beethoven."

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Fuga

O ocidente do oriente

O ocidente e o oriente são construções feitas a partir de discursos e de olhares. Como tal, podem ser reformuladas e reapresentadas de forma diferente. Aos que acham que dessa reelaboração não pode surgir nada de novo, aconselho o visionamento deste clip, cortesia do YouTube.

Cat Power na Batalha


A noite prometia tudo. E a figura esbelta e cambaleante em cima do palco deu tudo. Embriagada, Chan Marshall embriagou-nos, e ofereceu-nos um concerto pouco profissional mas superlativamente sentido, como já não se faz.

Momento alto: preparada para atacar um solo de piano (onde entre outras atacou este arrepiante 'I don't blame you'), Chan Marshall, a mulher do palco, afirma que Chan Marshall, a verdadeira, está escondida nos bastidores. Aparentemente estava grávida... de Bob Dylan, mas não é suposto divulgar. Enfim, para mais tarde recordar...

Kate Bush: Army Dreamers

Brave new world


"Os deuses são justos. Sem dúvida. Mas o seu código de leis é ditado, em última instância, pelas pessoas que organizam a sociedade. A providência recebe a palavra de ordem dos homens". Rezava assim um dos últimos diálogos no "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley. Num futuro dominado pela tecnologia e pela racionalização de toda a vida social, económica, cultural e sexual, fazia sentido que Jesus Cristo fosse substituído por Henry Ford, como referência transcendental e fundadora (no livro, o ano zero passou a ser considerado o ano em que foi criado o famoso modelo T da fábrica de automóveis Ford, o tal que inaugurou a primeira linha de montagem da história da indústria). Tendo sido escrito nos anos 30 como um vigoroso alerta contra os perigos dos totalitarismos que viriam a mudar a face do planeta pouco tempo depois, a obra não perdeu qualquer pertinência neste ano de 2006 D.C., incluindo nessa mesma reflexão sobre o divino como manifestação do pensamento humano e da sua contemporaneidade. O divino somos nós, na nossa sordidez, mas também na nossa magnificência (que melhor exemplo do que o concerto que Jordi Savall e os seus Hespèrion XXI ofereceram na Casa da Música no passado Sábado?).

Melodias para adultos

Assisti ontem na Casa da Música ao espectáculo The Last Nomads of Rajasthan, uma espécie de wonder team da arte nómada indiana. Trata-se de um colectivo colorido e multifacetado composto por bailarinas, percursionistas, tocadores de cítares, tímbalos e outros instrumentos para mim desconhecidos e ainda um divertido engolidor de facas. Pelo meio, dois bailarinos drag e movimentos sensuais distribuídos por ambos os sexos, num ambiente com cheiro a insensos e tabacos exóticos.
Mal recuperado, despertei esta manhã para mais um seminário profissional, onde voltei a ouvir a Olívia Santos Silva, uma das fundadoras do modelo actual de educação e formação de adultos, falar sobre a importância de respeitar a especificidade de cada indivíduo e da muy 'freiriana' capacidade mobilizadora contida no processo de conscientização a que este (idealmente) se presta com a mediação dos técnicos nos processos de reconhecimento de competências. Mencionou ainda en passant a inevitabilidade da integração territorial das estruturas já criadas neste âmbito, ou seja, a necessidade de ligar os processos de educação e formação à envolvente local do próprio adulto.
Não consegui evitar pensar que o texto que os adultos constroem para demonstrar o seu percurso necessita de um olhar que reconheça os diferentes 'territórios' que permitiram a sua vivência, tal como a bailarina reconhece o ritmo e melodia como realidades suas, e sabe, como tal, identificar o momento certo em que deve iniciar e terminar o movimento da sua dança. Não se trata de um capricho. O meu ouvido está educado para 'entender' melopeias e compassos ocidentais, estruturas de que a música indiana tradicional se desvia de forma significativa, estabelecendo o seu próprio ambiente sonoro. Se entro num novo 'território', eu posso ouvi-lo e contempla-lo, mas não posso nem devo fazer de conta que o sei descodificar.

The boys wanna be her, the girls wanna be her


Deborah Harry, matriarca das mulheres rockeiras: um pé na provocação arty, outro na pura perfomance pop, já com uma grande descendência (ver exemplo de descendência em baixo).

A presença de Marisa


Ontem encontrei-me com uma mulher. Primeiro só lhe ouvi a voz. Cantava sobre o seu infinito particular num bréu maternal. De vez um quando, uma luz ténue iluminava o rosto e percebi um violão no seu colo. Depois mudou de melodia e todo o cenário incandesceu de uma luz branca. Rodeava-a uma pequena orquestra, toda vestida de negro. O ritmo era um samba lento, quase uma morna. Cantou e cantou, trocando o violão por um bandolim, e aproximou-se, desafiando a sua própria timidez (ou, nas suas próprias palavras, o seu pernambucolismo). Senti mais uma vez que o espaço era imenso, e que precisávamos de estar a sós, eu e ela. Mas na imensidão daquele círculo percebi dois mil vultos que nos separavam. Saravá, Marisa.





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