As minhas cidades - Bologna
Em Bolonha havia uma janela da cantina universitária de onde se podia observar uma praça forrada a grafitis e palimpsestos de posters, na qual se mobilizava pelo menos uma concentração diária contra ou a favor de qualquer coisa (geralmente contra). A cidade era um concentrado de arcadas que se percorriam facilmente de lés-a-lés numa bicicleta emprestada. Dois outros sítios funcionavam contudo como pólos de atracção das minhas deambulações: o jardim Margherita, com os seus relvados que convidavam à leitura e à divagação filosófica (tinha 22 anos, apesar de tudo) e a inevitável Piazza Maggiore com o também inevitável e peculiar Duomo (o revestimento superior da catedral nunca chegou a ser concluído, dando-lhe assim um aspecto imponente mas frágil). Ao fundo, a pequena Piazza Neptuno, com a sua famosa representação da divindade marítima, lutando contra serpentes gigantes. Se as cidades têm uma cor, a de Bolonha é decididamente o vermelho das cortinas, do tijolo burro, das bandeiras e do entardecer toscano das colinas ali ao lado. Algumas torres decepadas lembravam às novas gerações o preço da ambição (no tempo dos doges, as torres simbolizavam o estatuto das famílias rivais). 
Hoje, a cidade é mais um exemplo da vaidade num país que não existe, com a sua vida fora de portas nas praças, nos mercados de rua e nas cooperativas, com os seus habitantes de porte altivo e vestes impecáveis e as suas várias tradições históricas (a mais recente talvez a da esquerda racical, após os ataques das brigate rosse). Como estrangeiro, Bolonha foi também a minha primeira cidade interior, e tenho regressado com frequência aos seus cenários.
Trans-power!

Uma bela foto de Carla Antonelli, transexual activista que há 30 anos tem batalhado aqui no país vizinho pelos direitos da população 't', aqui retratada como leoa das Cortes para a capa da edição de Março da revista Zero. Este ano bem pode ter razões para estar contente, com a aprovação em Espanha da lei de identidade de género, documento que possibilita doravante que qualquer cidadão possa aceder sem obstáculos à alteração da sua identidade de género em termos formais. No nosso país, a realidade da população transexual é ainda bastante desconhecida e alvo de múltiplas descriminações e incompreensões (incluindo da parte do próprio movimento LGBT). Não existe um enquadramento legal do processo de transição identitária, pelo que o indivíduo que pretenda fazê-lo se depara com um conjunto de obrigações de procedimentos que fariam as tarefas de Hércules parecerem um simples campeonato de caricas. A ILGA publicou no início deste ano um documento que sintetiza de forma bastante clara o diagnóstico e reivindicações fundamentais para que também estes cidadãos possam ver reconhecidos os seus direitos como pessoas plenas, e desta forma combater na realidade a profunda e inadmissível discriminação de que são alvo, a prova mais irrefutável de que o regime de género (e sexualidade) dominante é uma das formas mais brutais de dominação. A hora 'h' já começou. Agora está na hora 't'!
Marramao e o contemporâneo
Impelido pela curiosidade de ouvir um filósofo de primeira linha ao vivo e a cores, e no meu dialecto preferido, fui assistir à primeira conferência do ciclo "Crítica do Contemporâneo" da Fundação de Serralves. Giacomo Marramao, o ilustre orador, veio-nos falar sobre a necessidade de repensar a modernidade, esse grande chapéu da filosofia política actual. Começou por coleccionar argumentos contra o previlégio do pensamento ocidental, construído a partir da matriz grega até à actual hegemonia norte-americana, uma ocidentalização, tão técnica como espiritual, que não deve ser confundida com a modernização (esta caracteriza-se antes pelo processo de secularização).
Para pensar a política actualmente, é preciso perceber a emergência de uma 'política universalista da diferença', sendo esta 'diferença' (no singular) uma questão de ângulo, de olhar sobre a realidade.
Avançou então com várias teses, observações e interrogações:
- a falácia da pós-modernidade ou globalização enquanto etapa oposta à anterior, quando na verdade assistimos também a continuidades e a ruptura reside essencialmente na tensão entre uniformização e diferenciação;
- o 'curto circuito do glocal': o anel intermédio entre o local e o global - o Estado-nação - encontra-se em crise (em termos qualitativos, uma vez que em termos quantitativos se assiste ainda um 'boom' de novos Estados), crise que reside no facto de esse mesmo Estado se revelar demasiado pequeno face às dinâmicas do mercado global e, por outro lado, demasiado grande face à multiplicação dos apelos e à diversidade do local; a glocalização funciona assim como uma 'tenaz' sobre os próprios Estados;
- assistimos à consolidação de um duplo modelo: o cosmopolitismo dos pobres e o simultâneo localismo dos ricos (podemos localizar no mapa-mundo as regiões mais ricas);
- os conflitos mundiais possuem uma dimensão materialista, indubitavelmente, mas eles são cada vez mais também conflitos identitários (vindo as religiões, por hipótese, ocupar o lugar deixado livre pela hegemonia do pensamento ocidental);
- incomensurabilidade e comparabilidade das culturas: sendo o relativismo cultural uma forma de olhar as culturas (e não um modelo ético), o facto de não podermos considerar um único critério de leitura da(s) realidade(s) deve impedir a sua comparação e confronto?
- a própria visão do ocidente e oriente como realidades homogéneas e opostas entre si é parte integrante de um olhar ocidental sobre o mundo (olhar que não existe no oriente), e que tenta estabelecer uma outra polarização fundamental: entre a primazia do indivíduo e a primazia da comunidade enquanto princípios de organização social.
Curiosamente, para Marramao, a filosofia volta a lidar com as mesmas interrogações da sua própria origem. Simplesmente a esfera pública já não é a dos cidadãos da pólis, mas é a dos nómadas e dos migrantes, e o espaço da política reside entre o Estado e os indivíduos. Não vivemos uma crise mas sim uma pluralização de valores, valores que cada indivíduos transporta consigo como se de múltiplas vozes se tratassem: não no sentido esquizóide, como na personagem d'"0 Exorcista", mas antes como resultado dos múltiplos encontros de culturas, definindo a singularidade individual que demarca o primeiro patamar da diferença. Para este italiano, devemos pensar numa 'ontologia da contingência', como resultado frágil mas nobre das nossas vivências (é de mim ou tudo isto é um pouco queer?).
Um debate deste género, como sublinhou, pode ser mais um exemplo do ambiente de experimentação que já fervilha nas cidades europeias, onde já se pode vislumbrar uma lógica de horizontalidade (do diálogo), que as instituições europeias (verticalizantes) não conseguem reproduzir.
Que outras conversas se sigam.
Etiquetas: cidadania, educação, investigação
Publicado por Major Tom - sexta-feira, março 30, 2007 à(s) 00:46 3 comentáriosNew kids on the rock
Houve um tempo em que a minha fantasia era mais musical do que erótica. Fechar os olhos era imaginar-me um guitar hero ao estilo de Jimmy Page ou vocalista a la Robert Plant (hence o cabelo comprido que me acompanhou alguns anos). O meu período favorito, para além das mais emplumadas figurações de David Bowie ou de Lou Reed, era o do rock blindado de uns Led Zeppelin ou dos Deep Purple dos primeiros anos. Mais tarde, um conjunto de empresários musicais viram nessa raíz um filão rentável e criaram-se alarvidades a que chamaram heavy metal ou hard rock, onde nunca reconheci o rendilhado e a pujança dos originais. Felizmente, algumas gerações depois, a lição continua a ser agarrada por alguns poucos mas valiosos discípulos. Com vosotros, The Raconteurs (com o meu novo herói, Jack White):
Etiquetas: música maestro
Publicado por Major Tom - quinta-feira, março 29, 2007 à(s) 09:59 1 comentáriosO mundo do caimão

Um amigo residente há quinze anos em Itália preveniu-me que o mais provável era o novo filme do Nani Moretti não ter grande aceitação no nosso país, em parte por conter uma abordagem política radical mas sobretudo porque lidava com uma realidade e acontecimentos especificamente italianos (o caso Berlusconi). Não poderia estar mais longe da verdade. O 'Caimão' é de uma pertinência universal, e qualquer pessoa deste país poderá estabelecer links de leitura com nosso próprio contexto: a mediatização da realidade, a mercantilização dos serviços públicos, a corrupção, o vedetismo político, e, talvez mais do que tudo, a desagregação do pensamento crítico e a letargia da esquerda, mais empenhada em conservar do que em empenhar-se numa transformação que inclua novas causas (talvez não seja por acaso que o filme inclui um casal de lésbicas). Um mundo novo precisa de um novo olhar, e o cinema de Moretti tacteia por aí, de forma inteligente, num registo muito sui generis - diria cómico-agressivo, mas o registo dramático-pessimista também está lá - que sempre foi o seu. Um arejo cerebral.
Partida, largada...fugida!
E pronto, a corrida fez-se. Não custou muito e foi divertido. A minha proverbial distracção fez-me partir largos minutos depois do tiro de largada, mas daí até apanhar o poletão e ir conquistando lugares foi um instante, num irreprimível impulso competitivo (desconhecido para mim) que me fez chegar à meta quase de rastos (ou seria o peso da companhia? - ver post anterior). Pensando bem, se participar noutras corridas vou optar por essa estratégia, sempre é melhor do que começar à frente e ir ficando para trás... O ambiente era de feira popular (até pelo homem com o megafone a debitar bitaites incompreensíveis no palanque), uma mole humana bem disposta, com crianças, idosos, cães e outras espécies sob um Sol esplendoroso. E ainda sobrou bastante tempo para acompanhar o resto da 'caminhada' da criançada, já quase em delírio de alegria. Quando é a próxima, mesmo?
Correr com o diabo

Amanhã vou estou algures no meio da multidão, para provar que pai é quem está por lá, ao lado da petizada. Quem me quiser encontrar, não terá grandes dificuldades: basta procurar o meu número de dorsal, que não teria sido melhor se fosse escolhido de propósito. Será que uma 'ajudinha' deste género é motivo de desclassificação?
Etiquetas: desporto, música maestro
Publicado por Major Tom - sábado, março 24, 2007 à(s) 13:48 1 comentáriosAzáfama(s)
Em semanas agitadas (que se traduzem por estas bandas numa sub-postagem vergonhosa) fica sempre no ar uma acumulação de dizeres e uma dificuldade progressiva para usar da palavra escrita, sobretudo quando o registo tem sido eminentemente oral. Então cá ficam, para mais tarde recordar, os highlights da quinzena: o desafio brutal de representar uma perspectiva gay sobre o casamento e as uniões de facto num colóquio na Universidade do Minho, onde os ingredientes Braga, Igreja e Direito se combinaram num ambiente explicitamente hostil que eu julgava já não existir no meio académico; a visita bem sucedida a duas escolas secundárias para discutir a descriminação com base na orientação sexual e na identidade de género, num projecto que me enche as medidas e que concretiza uma ideia que já vem desde quando eu próprio atravessava esse deserto violento que pode ser a adolescência (é bom saber que há sonhos concretizáveis); pelo meio, uma apresentação do ponto de situação do trabalho de mestrado, perante uma audiência reduzida mas curiosa e de um questionar essencial; o início do novas turmas de candidatos à certificação via RVC , e a necessidade de trabalhar de novo as ideias de comunicação, motivação, exclusão e (talvez sobretudo) de comunidade; finalmente, ainda uma sessão de apresentação das ofertas de educação e formação de adultos, perante benificiários do RSI (Rendimento Social de Inserção), no papel ingrato e incómodo de quem representa a exigência de contrapartidas do Estado em relação áquilo que é na verdade a sua obrigação: a garantia de condições mínimas de sobrevivência social e económica a todos os seus cidadãos (obrigação frequentemente obliterada dos discursos que questionam a aplicação de medidas deste tipo, com base na pretensa má-vontade, preguiça ou incapacidade dos subsidiados).
O som da nossa vida
No estado actual das (minhas) coisas, só sobra tempo para (vos) dar música. No início do processo de digestão de um novo álbum ("The neon Bible"), ocorreu-me que ainda haverá por aí quem ache que já não se faz grande (mesmo grande) música como esta.
PS: recomenda-se a audição no volume máximo ;)
Etiquetas: música maestro
Publicado por Major Tom - quarta-feira, março 14, 2007 à(s) 01:19 1 comentáriosCidadania Global
Podemos começar por assinar aqui.
Etiquetas: cidadania
Publicado por Major Tom - quinta-feira, março 08, 2007 à(s) 21:50 0 comentáriosSó Moretti me entende
" O dever! O dever de fazer este documentário... não me apetece nada, mas devo fazê-lo... mas não me apetece. Que bom seria se finalmente conseguisse realizar aquele filme musical passado nos anos 50: à esquerda, todos por Estaline, mas... há um pasteleiro, um pasteleiro trotsquista, isolado, difamado, que solitário no seu laboratório, entre as suas massas e os seus pasteis, é feliz... e esquece... e dança.
(...) Hoje vou conseguir boas filmagens, importantes, sim. Apesar de ter um bocado vergonha, se ao menos conseguisse encontrar um modo de filmar sem que ninguém me visse... De qualquer das formas hoje estou em forma, sinto-o. E depois é importante fazer este documentário, e é uma coisa que eu gosto... apesar daquele filme sobre aquele pasteleiro... bem, isso seria outra história!"
Etiquetas: cinema, música maestro, pessoal
Publicado por Major Tom - domingo, março 04, 2007 à(s) 16:34 2 comentáriosLa Mangano
Gloomy sunday. Ressacado de uma noite de Peaches DJ num teatro Sá da Bandeira perfeito para bailes de vampiros. Abandonei o show para onde fui sem companhia (senti-me um etnógrafo nocturno a deambular pelos corredores, tribunas e plateia), depois de alguém me ter queimado o meu casaco preferido (yep, veludo azul assim não se volta a encontrar). Para me animar, recorro à Silvana Mangano.
Dizem eles. dizemos nós

"Diferente entre diferentes: orientação sexual e deficiência". Ou como se sobrepõem exclusões, num debate promovido pelo GRIP.
Dia 3 de Março, às 15h.
Etiquetas: cidadania, desenhos, LGBT
Publicado por Major Tom - sexta-feira, março 02, 2007 à(s) 23:37 1 comentáriosReconhecer a valer!
O Sérgio Godinho tem uma excelente música no novo álbum que tem como simples mas eficaz refrão: "só neste país é que se diz só neste país". Que é como quem diz que neste país as boas ideias têm sempre a cabeça a prémio, porque é sempre mais fácil ir por atalhos que regalem a vista. É mais ou menos com este espírito que o sistema de educação de adultos tem sido apadrinhado nos tempos mais recentes. O Reconhecimento e Validação de Competências, inicialmente uma iniciativa de louvar por reconhecer o mérito das aprendizagens não formais de adultos verdadeiramente sub-certificados, transformou-se numa via de acesso fácil aos números mágicos das metas europeias. Sem qualquer tipo de acompanhamento e monitorização, os centros são assim 'empurrados' para uma dinâmica de fabrico de diplomas em série, cujo reconhecimento social em breve ficará desacreditado. Para mais, o alargamento do processo para lugares onde a aprendizagem não formal esteve sempre longe de ser valorizada, como as escolas ou centros de formação a la IEFP, veio colocar num limbo as organizações da sociedade civil inicialmente responsáveis pela implementação do processo (algumas até já encerraram), agravando ao mesmo tempo o risco de isenção (estão a ver não estão? organismos do Estado a responder a metas do... Estado). Para tentar inverter o rumo das coisas e preservar a relevância original do projecto, está disponível online uma petição dirigida ao governo.
Podem assinar aqui.
As botas de Sinatra
Sem tempo para postagens, but the show must go on... por isso fiquem com este belo exemplo do que a cultura pop pode trazer para a women's lib ;)
Etiquetas: música maestro
Publicado por Major Tom - segunda-feira, fevereiro 26, 2007 à(s) 23:58 0 comentários50 espaços verdes a preservar

Chamo a atenção para o destaque que estará no menú da "Orquídea", até ao final do mês de Março. A associação Campo Aberto pede-nos ajuda para encontrarmos 50 espaços verdes na Área Metropolitana do Porto que se encontrem desprotegidos legalmente, por forma a preservá-los de ameaças imobiliárias e abri-los ao usufruto colectivo.
Todos nós já vimos serem destruídos terrenos agrícolas, quintas, jardins privados, alguns deles trazem belas recordações da nossa infância. Vamos dar o nosso contributo para poder preservar aquilo que ainda pode ser salvo.
"Twee Vaders"
Isto passou-se no Festival da Canção "Kinderen voor Kinderen" de 2005, nos Países Baixos. Aqui têm a letra se quiserem aprender ;)
Cartas de Iwo Jimo

No cinema, cada vez vou mais pelos valores seguros. E também porque algo feito por um homem com tanta história na sua pele como Clint Eastwood, a quem chamam o último dos clássicos (com tudo o de vago e ideológico que isso acarreta; afinal, quem vão ser os clássicos em 2050?). Ou seja, alguém cuja vida na verdade se confunde com a evolução do cinema norte-americano (e não só, foi dirigido por grandes do cinema italiano como Sergio Leone mas também Vittorio De Sica)nos últimos 50 anos, tendo-se tornado um repositório (inclusivamente físico) desse legado. Em "Cartas de Iwo Jimo", vê-se que aprendeu bem a lição e que se tornou ele próprio um mestre (como já em Bird, Caçador Branco, coração preto, Um mundo perfeito , As pontes de Madison County ou mesmo Million Dollar Baby). É um filme negro e violento, como uma ferida exposta cauterizada a fogo. A ferida é a própria herança ideológica da vitória sangrenta dos EUA sobre o Japão no final da II Grande Guerra. O cenário é abstracto como a própria guerra, a loucura pontuada por visões de areias negras e grutas intermináveis onde os japoneses resistiram mais de 40 dias à infinita superioridade bélica do adversário. O paroxismo é acentuado por uma ausência de enquadramento explicativo. As vítimas estão de um lado e do outro das trincheiras, e, como em todas as guerras, o inimigo são as ordens de superiores sempre ausentes, o que faz deste filme uma bela e singular balada pela paz.
Etiquetas: cinema
Publicado por Major Tom - segunda-feira, fevereiro 19, 2007 à(s) 09:23 0 comentáriosLinks para malta disposta a ser mais ecológica
Já há uma data de tempos que ando para partilhar convosco estes links:
Ecocasa
WS-Energia
Portal das Energias Renováveis
Elanotec
Pontos Aquacycle
Treehugger
Expresso - Especial mês do ambiente
Horta da Formiga
Carbono Zero
Rede Portuguesa de Eco-aldeias e Comunidades Sustentáveis
Inhabitat
Água quente solar
Bioterra
Aceito mais sugestões.
O papel e a sua mente

As palavras não desapareceram, simplesmente migraram para o trabalho de dissertação por uma questão de racionalização de energias e de recursos mentais. Vão sobrando outras formas de sair de mim. Estas são as minhas preferidas: estou num colóquio, numa aula, numa entrevista, numa reunião ou num debate, a mente divaga e ordena à mão o gesto vago que se espreguiça numa folha de rascunho. É assim normalmente que nasce mais um personagem à procura da sua história, a aguardar o encontro que nunca acontecerá com o seu próprio significado.
"Ainda há pastores" no Porto
Afinal, este documentário regressa ao Porto, hoje e amanhã pelas 21h30 no Cinema Batalha. Lá estarei!
Etiquetas: cinema
Publicado por Venus as a boy - sexta-feira, fevereiro 16, 2007 à(s) 09:35 0 comentáriosA corrida ao abismo (de novo Schwizegebel)
Etiquetas: animação
Publicado por Major Tom - terça-feira, fevereiro 13, 2007 à(s) 01:18 0 comentáriosCasa da Leitura
Na minha ronda diária pela net, fui dar a este site, mais um projecto da Fundação Gulbenkian. O que gostei verdadeiramente foi desta animação, nada mais nada menos que o menú principal do site. Achei fantástico! É tão fofinho...
Etiquetas: leituras
Publicado por Venus as a boy - segunda-feira, fevereiro 12, 2007 à(s) 21:33 1 comentáriosSIM!!!

Cancelem as vossas viagens para fora do país! Parem de enviar currículos para o estrangeiro! A democracia ganhou! A verdade ganhou! As mulheres ganharam! Vale a pena ir para as ruas! Vale a pena recolher assinaturas, debater, insistir, informar, reclamar! Vale a pena acreditar num futuro diferente, na justiça e na diversidade! Agora sim, vamos às leis, vamos às escolas! Mãos à obra, que neste país ainda há esperança!
Etiquetas: cidadania, desenhos
Publicado por Major Tom - domingo, fevereiro 11, 2007 à(s) 21:16 4 comentáriosPela dignidade das mulheres, vota SIM
Etiquetas: cidadania
Publicado por Major Tom - sexta-feira, fevereiro 09, 2007 à(s) 14:09 0 comentáriosOu SIM ou sopas!
Hoje ao entrar no carro para regressar a casa depois do trabalho reparei num papel colocado entre o vidro e o limpa-brisas. Abri o papel e li o recado: começava com um elegante "És um aborto!", seguido de considerações sobre o modo como eu tinha estacionado. Decidi só tomar em consideração a primeira parte uma vez que desde que me lembro sempre coloquei o automóvel no mesmo sítio e nunca houve considerandos de qualquer espécie. Presumi que o/a autor/a do recado estava, isso sim, incomodado/a com o postal do 'Sim' que eu tinha colocado no vidro traseiro ou, possivelmente, por me reconhecer, a mim e às minhas posições, do local onde trabalho, que é um espaço público (esqueci-me de falar no autocolante na lapela?). Achei que o momento ilustrava bem o que se tem passado nas últimas semanas, mas também um certo tipo de confronto de mentalidades que vem de longe. De um lado, os movimentos organizados a partir da sociedade civil pela despenalização, pela liberdade de escolha, pela informação esclarecida, pela igualdade de direitos e deveres perante o Estado; do outro, as forças conservadoras, a estrebuchar para manter os seus mecanismos de dominação simbólica, usando como estratégias a intimidação, a desinformação, a hábil manipulação da ignorância e a apropriação ideológica de valores que na verdade nunca foram seus (nunca vos atiraram à cara que eram anti-democráticos por defender o 'sim' e rebater o 'não'?). De um lado o respeito pela mulher e uma concepção informada do contrato social; do outro, a mentira covarde (querem mais exemplos do que as fotografias de fetos retalhados que me têm chegado à caixa de correio ou esses cartazes escandalosos com bebés e mães enternecidas?), a arrogância e a prepotência de quem conhece bem a sua influência e quais as estratégias para a manter.
É um dever de cidadania não ceder, votar e assumir uma posição pública pelo sim.
PS: alguém me arranja mais uns cartazes para eu colar no carro?
Etiquetas: cidadania
Publicado por Major Tom - quinta-feira, fevereiro 08, 2007 à(s) 13:15 4 comentáriosDormindo com Pierre Bourdieu
Pensar para mim começa a ser um exercício complexo. Na dinâmica de começar a ler, interromper para ir dormir, acordar e ir trabalhar, voltar a ler e tirar notas, interromper e ir a uma reunião, voltar às notas e escrever duas frases, interromper e voltar ao trabalho, dormir, comer, estar com a família, amigos, paixão, acordar e trabalhar... sinto-me um daqueles candidatos que alguém inscreveu num concurso televisivo com desafios impossíveis.
Etiquetas: pessoal
Publicado por Major Tom - terça-feira, fevereiro 06, 2007 à(s) 06:16 3 comentários


