As botas de Sinatra
Sem tempo para postagens, but the show must go on... por isso fiquem com este belo exemplo do que a cultura pop pode trazer para a women's lib ;)
Etiquetas: música maestro
Publicado por Major Tom - segunda-feira, fevereiro 26, 2007 à(s) 23:58 0 comentários50 espaços verdes a preservar

Chamo a atenção para o destaque que estará no menú da "Orquídea", até ao final do mês de Março. A associação Campo Aberto pede-nos ajuda para encontrarmos 50 espaços verdes na Área Metropolitana do Porto que se encontrem desprotegidos legalmente, por forma a preservá-los de ameaças imobiliárias e abri-los ao usufruto colectivo.
Todos nós já vimos serem destruídos terrenos agrícolas, quintas, jardins privados, alguns deles trazem belas recordações da nossa infância. Vamos dar o nosso contributo para poder preservar aquilo que ainda pode ser salvo.
"Twee Vaders"
Isto passou-se no Festival da Canção "Kinderen voor Kinderen" de 2005, nos Países Baixos. Aqui têm a letra se quiserem aprender ;)
Cartas de Iwo Jimo

No cinema, cada vez vou mais pelos valores seguros. E também porque algo feito por um homem com tanta história na sua pele como Clint Eastwood, a quem chamam o último dos clássicos (com tudo o de vago e ideológico que isso acarreta; afinal, quem vão ser os clássicos em 2050?). Ou seja, alguém cuja vida na verdade se confunde com a evolução do cinema norte-americano (e não só, foi dirigido por grandes do cinema italiano como Sergio Leone mas também Vittorio De Sica)nos últimos 50 anos, tendo-se tornado um repositório (inclusivamente físico) desse legado. Em "Cartas de Iwo Jimo", vê-se que aprendeu bem a lição e que se tornou ele próprio um mestre (como já em Bird, Caçador Branco, coração preto, Um mundo perfeito , As pontes de Madison County ou mesmo Million Dollar Baby). É um filme negro e violento, como uma ferida exposta cauterizada a fogo. A ferida é a própria herança ideológica da vitória sangrenta dos EUA sobre o Japão no final da II Grande Guerra. O cenário é abstracto como a própria guerra, a loucura pontuada por visões de areias negras e grutas intermináveis onde os japoneses resistiram mais de 40 dias à infinita superioridade bélica do adversário. O paroxismo é acentuado por uma ausência de enquadramento explicativo. As vítimas estão de um lado e do outro das trincheiras, e, como em todas as guerras, o inimigo são as ordens de superiores sempre ausentes, o que faz deste filme uma bela e singular balada pela paz.
Etiquetas: cinema
Publicado por Major Tom - segunda-feira, fevereiro 19, 2007 à(s) 09:23 0 comentáriosLinks para malta disposta a ser mais ecológica
Já há uma data de tempos que ando para partilhar convosco estes links:
Ecocasa
WS-Energia
Portal das Energias Renováveis
Elanotec
Pontos Aquacycle
Treehugger
Expresso - Especial mês do ambiente
Horta da Formiga
Carbono Zero
Rede Portuguesa de Eco-aldeias e Comunidades Sustentáveis
Inhabitat
Água quente solar
Bioterra
Aceito mais sugestões.
O papel e a sua mente

As palavras não desapareceram, simplesmente migraram para o trabalho de dissertação por uma questão de racionalização de energias e de recursos mentais. Vão sobrando outras formas de sair de mim. Estas são as minhas preferidas: estou num colóquio, numa aula, numa entrevista, numa reunião ou num debate, a mente divaga e ordena à mão o gesto vago que se espreguiça numa folha de rascunho. É assim normalmente que nasce mais um personagem à procura da sua história, a aguardar o encontro que nunca acontecerá com o seu próprio significado.
"Ainda há pastores" no Porto
Afinal, este documentário regressa ao Porto, hoje e amanhã pelas 21h30 no Cinema Batalha. Lá estarei!
Etiquetas: cinema
Publicado por Venus as a boy - sexta-feira, fevereiro 16, 2007 à(s) 09:35 0 comentáriosA corrida ao abismo (de novo Schwizegebel)
Etiquetas: animação
Publicado por Major Tom - terça-feira, fevereiro 13, 2007 à(s) 01:18 0 comentáriosCasa da Leitura
Na minha ronda diária pela net, fui dar a este site, mais um projecto da Fundação Gulbenkian. O que gostei verdadeiramente foi desta animação, nada mais nada menos que o menú principal do site. Achei fantástico! É tão fofinho...
Etiquetas: leituras
Publicado por Venus as a boy - segunda-feira, fevereiro 12, 2007 à(s) 21:33 1 comentáriosSIM!!!

Cancelem as vossas viagens para fora do país! Parem de enviar currículos para o estrangeiro! A democracia ganhou! A verdade ganhou! As mulheres ganharam! Vale a pena ir para as ruas! Vale a pena recolher assinaturas, debater, insistir, informar, reclamar! Vale a pena acreditar num futuro diferente, na justiça e na diversidade! Agora sim, vamos às leis, vamos às escolas! Mãos à obra, que neste país ainda há esperança!
Etiquetas: cidadania, desenhos
Publicado por Major Tom - domingo, fevereiro 11, 2007 à(s) 21:16 4 comentáriosPela dignidade das mulheres, vota SIM
Etiquetas: cidadania
Publicado por Major Tom - sexta-feira, fevereiro 09, 2007 à(s) 14:09 0 comentáriosOu SIM ou sopas!
Hoje ao entrar no carro para regressar a casa depois do trabalho reparei num papel colocado entre o vidro e o limpa-brisas. Abri o papel e li o recado: começava com um elegante "És um aborto!", seguido de considerações sobre o modo como eu tinha estacionado. Decidi só tomar em consideração a primeira parte uma vez que desde que me lembro sempre coloquei o automóvel no mesmo sítio e nunca houve considerandos de qualquer espécie. Presumi que o/a autor/a do recado estava, isso sim, incomodado/a com o postal do 'Sim' que eu tinha colocado no vidro traseiro ou, possivelmente, por me reconhecer, a mim e às minhas posições, do local onde trabalho, que é um espaço público (esqueci-me de falar no autocolante na lapela?). Achei que o momento ilustrava bem o que se tem passado nas últimas semanas, mas também um certo tipo de confronto de mentalidades que vem de longe. De um lado, os movimentos organizados a partir da sociedade civil pela despenalização, pela liberdade de escolha, pela informação esclarecida, pela igualdade de direitos e deveres perante o Estado; do outro, as forças conservadoras, a estrebuchar para manter os seus mecanismos de dominação simbólica, usando como estratégias a intimidação, a desinformação, a hábil manipulação da ignorância e a apropriação ideológica de valores que na verdade nunca foram seus (nunca vos atiraram à cara que eram anti-democráticos por defender o 'sim' e rebater o 'não'?). De um lado o respeito pela mulher e uma concepção informada do contrato social; do outro, a mentira covarde (querem mais exemplos do que as fotografias de fetos retalhados que me têm chegado à caixa de correio ou esses cartazes escandalosos com bebés e mães enternecidas?), a arrogância e a prepotência de quem conhece bem a sua influência e quais as estratégias para a manter.
É um dever de cidadania não ceder, votar e assumir uma posição pública pelo sim.
PS: alguém me arranja mais uns cartazes para eu colar no carro?
Etiquetas: cidadania
Publicado por Major Tom - quinta-feira, fevereiro 08, 2007 à(s) 13:15 4 comentáriosDormindo com Pierre Bourdieu
Pensar para mim começa a ser um exercício complexo. Na dinâmica de começar a ler, interromper para ir dormir, acordar e ir trabalhar, voltar a ler e tirar notas, interromper e ir a uma reunião, voltar às notas e escrever duas frases, interromper e voltar ao trabalho, dormir, comer, estar com a família, amigos, paixão, acordar e trabalhar... sinto-me um daqueles candidatos que alguém inscreveu num concurso televisivo com desafios impossíveis.
Etiquetas: pessoal
Publicado por Major Tom - terça-feira, fevereiro 06, 2007 à(s) 06:16 3 comentáriosGuardião de Spaccanapoli

Nápoles - Junho 2006
Ao rever as fotos de Nápoles fico com pena de não termos fotografado mais. Que saudades daquela cidade, das suas vicoli, das vozes saídas das janelas dos palácios centenários, transformados em habitações contemporâneas, dos vendedores de livros usados, de amuletos e figurinhas de presépio, das crianças a brincar nas praças, dos risos, dos pregões, dos pormenores ornamentais das fachadas dos edifícios, do som dos passos na calçada vulcânica... Suspiramos e imaginamos como seriam as ruas do centro histórico do Porto se estivessem habitadas.
Personagens à procura de uma história #4

Etiquetas: desenhos
Publicado por Major Tom - terça-feira, janeiro 23, 2007 à(s) 09:18 0 comentáriosDiversidade não é para todos
Quando o tema diversidade vem à baila, mesmo em contextos académicos, é inevitável surgir uma associação imediata à questão da imigração. Raramente o discurso ultrapassa essa fronteira simbólica definida pelo Estado-nação, o que parece resultar de dois pressupostos implícitos:
- primeiro, a identidade, por via da cidadania, é definida de forma determinante pela pertença nacional;
- segundo, a nacionalidade, a nossa e a dos que decidem imigrar, é una e como tal monocultural.
Sinto sempre que não apenas a ficção da identidade nacional sai reforçada nesses momentos, reproduzindo estereótipos sob a capa da tolerância e da generosidade, mas sobretudo não se colocam outras cartas na mesa, que impliquem no mesmo patamar de leitura outras formas de exclusão como as que se baseiam, por exemplo no género ou na orientação sexual. Para evitar à partida este enviesamento ideológico, a ideia de nacionalidade terá que começar a ser lida como o resultado da diversidade, e não como o seu alvo indefeso. Estaremos preparados para tal revolução coperniciana?
Sem sentido
Hoje é sábado. Boa escolha musical! Ontem fez 25 graus em Turim. Sinto que não sou capaz de levar seja o que for até ao fim. Em Junho do ano passado, o Stromboli teve um dos períodos de maior actividade vulcânica dos últimos tempos, precisamente quando lá tivemos. Isso é que foi sorte! A Micas está a recuperar muito bem da ovariohisterectomia. Sabiam que há 50 maneiras de se dizer fabuloso? Gosto de padrões de fundo nos sites. Porque o CPF não organiza cursos de fotografia? Flåm pronuncia-se "Flom" e não "Flam". Bom exemplo de utilização das novas tecnologias na aproximação do poder político aos cidadãos (alguns). Afinal "Ainda há pastores"; será que regressam ao Porto? Faltam 21 dias para o referendo. Mais logo há uma milonga na "Esquina do Tango". Vou tomar banho. Afinal eu vinha à Internet para trabalhar e fiz tudo menos isso...
Postal comprado na "La libreria sull’Isola", Stromboli, Junho 2006
Sinais de tensão
Um dia recebo um folheto indescritível na caixa do correio, com imagens de fetos retalhados e discursos obscuros e contraditórios sobre a importância de votar não (sei que não vai ser o último, já me estou a preparar para este tipo de mimos); decido colocar um autocolante pelo sim na lapela e circular com ele no meu local de trabalho, dispondo-me aos olhares inquisitórios dos ´meus adultos`; no final do dia consulto o e-mail, ligo o messenger e comento o meu mal estar. O meu interlocutor confessa-se indeciso e eu desespero. Se até este não está convencido, penso, é sinal que estamos longe de poder estar seguros. Tento-me conter e empenho-me num esforço de desconstrução. Apercebo-me que a informação existe e circula, mas esbarra numa postura de avestruz: se esconder a cabeça, não vejo o que se passa e portanto o que se passa é nada. Do lado do 'não' já perceberam há muito o alcance político do referendo e como ele ultrapassa o campo estrito da IVG, balizando as decisões futuras sobre a condição das mulheres e da população LGBT. Eles já mobilizaram o seu armamento e a campanha nas igrejas foi reforçada (na verdade nunca foi interrompida). Vou pensando sobre o perigoso que é deixar que matérias como esta sejam referendáveis, mas sobretudo interrogo-me sobre o que fazer com um país que vota contra a dignidade dos seus próprios cidadãos.
Etiquetas: cidadania
Publicado por Major Tom - quarta-feira, janeiro 17, 2007 à(s) 05:43 1 comentáriosContraponto

Philipe Lopparelli, "Electropia"
"Fuga é uma forma musical polifônica muito livre, utilizando as técnicas de contraponto. Divide-se nas seguintes partes:
Exposição: Corresponde à entrada das vozes, uma de cada vez. A primeira voz enuncia o tema principal (sujeito) seguido pela resposta (sujeito reapresentado em outro grau, geralmente a dominante), enquanto a voz anterior continua em contraponto (contrasujeito). A exposição termina após a entrada de todas as vozes.
Desenvolvimento: Nesta parte, o tema é reapresentado alternadamente em cada voz.
Episódio: material livre que liga as reapresentações do sujeito (tema).
Stretto: Entrada estreitada das vozes, de maneira mais densa do que na exposição. Normalmente reservada para o final da composição.
Coda: É o final da fuga, em que todas as vozes cantam, juntas, uma melodia conclusiva.
As fugas foram largamente exploradas durante o período barroco, especialmente por Johann Sebastian Bach, autor de obras como A Arte da Fuga, e posteriormente desenvolvidas no classicismo por compositores como Mozart, Haydn e, em menor escala, Beethoven."
in http://pt.wikipedia.org/wiki/Fuga
Etiquetas: música maestro
Publicado por Major Tom - domingo, janeiro 14, 2007 à(s) 15:29 2 comentáriosArroz doce
Sou tomado ocasionalmente pelo impulso de fazer arroz doce. Tento fazê-lo à moda do sul, perseguindo o sabor inigualável das iguarias da tia de Carcavelos. No norte às vezes juntam-lhe baunilha e deixam de lado a manteiga, o que é uma forma de esconder que no fundo preferem a aletria ou o leite creme. A canela é um sabor que viaja com a infância, juntamente com os crayons da Viarco, as sebentas do pinóquio e os aromas da Ach. Brito.

*Fotos: Venus as a Boy + Major Tom
Ou, em alternativa...
... as fabulosas partituras visuais do suiço Georges Schwizgebel.
Etiquetas: animação
Publicado por Major Tom - quinta-feira, janeiro 11, 2007 à(s) 11:20 1 comentáriosGraphic Novel
Com o tempo vou percebendo que não tenho perfil para conhecer em profundidade. Talvez encontre o tédio demasiado cedo ou simplesmente esteja viciado no prazer da descoberta de novas linguagens. Por esse motivo nunca me afirmo como mais do que um mero apreciador ou interessado. Tomo como exemplo a banda desenhada. Custa-me realizar o desprezo com que é votada por tantos cultivadores de outras linguagens. Considero em especial o romance desenhado (não sei se existe designação portuguesa para o graphic novel) um formato com um potencial expressivo inesgotável e já com inúmeros e valiosos exemplos. Quem já pousou os olhos sobre 'Maus', de Art Spiegelman ou 'Palestina', de Joe Sacco sabe do que estou a falar. Em Portugal, temos um grande Miguel Rocha a tentar desbravar terreno e fá-lo com grande mestria. Um amigo trouxe-me de Itália o volume 'Baci dalla provincia', que agrega três histórias de Gipi (nome artístico de Gianni Pacinotti), toscano que já viu trabalhos seus nas listas anuais dos melhores livros (uma excepção que confirma o desprezo a que aludi). Aqui, uma prancha de "Appunti per una storia di guerra", uma fábula sobre o percurso de três jovens no cenário apocalíptico de uma guerra não identificada (como o são sempre, em parte, as guerras), e da aprendizagem da sua encenação. Aqui as vítimas transformam-se em algozes e a redenção é pouco menos do que uma miragem.
O som e o mar
Explicou-me um marinheiro alentejano (reformado, não fiquem com ideias), que através do som que o mar faz quando bate na costa podemos perceber em que sítio estamos. Na praia da São Julião, há uma esplanada onde podemos ver de cima a enseada formada pela entrada da água no areal. Foi lá que nos refugiamos para escapar ao caos deprimente da aproximação à Ericeira. Aqui o oceano espraia-se numa longa plataforma de espuma branca, atravessada por sulcos mais claros e espessos que se desfazem em linhas paralelas sobre a areia. O ruído é contínuo, sem a cadência marcada da ondulação, com a excepção de uma ou outra onda mais arrojada que se desfaz ainda longe da costa. Fosse uma praia de seixos e o barulho seria como o de uma fritada de ovos. Uns dias depois arriscamos um regresso nocturno à Ericeira e percebemos que ainda resta um núcleo preservado de ruas. E acima de tudo reencontramos o mar, que aqui forma grandes vagas que açoitam as rochas e que atraem os surfistas, num som que atemoriza. Junto à plataforma das furnas formadas pelo laborioso trabalho da água sobre a pedra, ali mesmo ao lado do imponente hotel, conseguem-se ver as ondas por trás, ainda antes de rebentarem na praia. À noite, a penumbra baralha a percepção da distância, e o rumor e aquelas sombras enormes que se deslocam no horizonte fazem disparar o coração.
Feitiços...
Há uma semana atrás fui enfeitiçado por esta paisagem. E não páro de pensar nela nos momentos menos convenientes. Queria que o tempo parasse e pudesse ficar a olhar eternamente para aquele vale. Resta-me olhar para a foto...
Penedo de Lexim, Mafra



