Janela indiscreta


James Stewart imortalizou o voyeurismo de vizinhança. Pelo caminho seduzia uma Grace Kelly pré-aristocrata e desvendava um crime. Na altura em que eu próprio praticava esta actividade, admito que dava jeito ser fumador. Enquanto o cigarro desaparecia em suaves baforadas, observava toda a agitação que se desenrolava como uma montra humana nas traseiras dos prédios: pessoas a dormir, a ver televisão, a espreitar o frigorífico, a escolher a roupa. O mais interessante, claro, era a penumbra de onde saiam ou onde mergulhavam, onde adivinhava cenas de maior recato e intimidade. A noite pertencia aos pensamentos, e eles eram mais fortes que nós.

2 Comentários:

  1. Rita Oliveira Dias disse...
    Não sejas tão duro contigo, seduzir uma aristocrata pode revelar mau gosto mas ainda não é crime.Devia ser...
    Eu quando espreito os vizinhos assusto-me com as vidas que vejo e pergunto se gostaria da minha.
    Rita, comentadora
    Major Tom disse...
    O filme pode ser visto como uma metáfora do cinema, mas é interessante pensar que esse olhar pode ser cruzado. Poucos cineastas se atrevem a falar ou mostrar-se a si próprios

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