Eduquem-se!


Passei uma boa parte de um dia de azáfama num seminário com o pouco auspicioso título 'Aprendizagem ao longo da vida'. É engraçado perceber como toda a lógica das intervenções está nestas ocasiões impecavelmente montada para se falar do que há a fazer com a escola enquanto conjunto de práticas e objectivos (para combater, por exemplo, essa grande construção discursiva que é o insucesso escolar). Mas nunca, nem por um segundo, se vislumbra a possibilidade de ver a aprendizagem como algo que pode ocorrer fora desse espaço mitificado. E se se vê, a questão nunca será colocada nos mesmo termos, mas antes como uma curiosidade que empresta como que uma espécie de exotismo multicultural aos desvios à norma (essa sim, repetidamente reiterada em tom melodramático pelo elogio do aluno que se adapta brilhantemente ao modelo e que demonstra assim a sua eficácia). À noite, no jantar semanal da minha primeira família, a minha irmã lamenta-se do mesmo, no final da primeira semana de aulas: os miúdos não são mais do que veículos das aspirações e práticas desse grande e inquestionado (re)produtor do saber que é o professor, e dessa implacável máquina de trituração de metas físicas e de propulsão de percursos de exclusão que é o sistema educativo actual.
PS: as orquídeas descem à capital para apanhar o que falta do 10º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa. Até já.

1 Comentário:

  1. Rita Oliveira Dias disse...
    Se eu soubesse...bons filmes!

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